Ponto de exclamação


"Esquecer uma mulher inteligente, custa um número
incalculável de mulheres estúpidas."

António Lobo Antunes
Martian Child

Vejam este filme

David: I don't want to bring another kid into this world. But how do you argue against loving one that's already here?
-----------------------------------------------------------------------

Dennis: But then I started doing science and realized the Earth was spinning around the sun at 67,000 miles per hour and I thought "What the heck do I need to be a martian for?"
(inner) winter

O inverno, o pior dos invernos é dos corações estilhaçados nos temporais fora do tempo. É o inverno das chuvas ácidas sobre o chão da alma, já de si encharcado em lençóis de água de outras tempestades. Visto-me de cores berrantes. Ergo a armadura de cachecóis, luvas, galochas e represento. Finjo que gosto dele, finjo que é chuva esta água que me encharca a cara e que é frio esta sensação que me imobiliza o peito. Finjo tanto até me convencer que a chuva lava mais do que inunda o coração.
Os "préférés" deste natal


Não se comparam ao gira-discos ali do lobístico mas foram dados com muito carinho. E melhor do que qualquer um destes objectos (um tanto ou quanto supérfluos) , os meus preferidos, foram mesmo os momentos passados à lareira e os lanches inesperados com a mesa cheia de primos, tios e tias a celebrar a familia.

O tempo não sabe nada.

Devagar, o tempo transforma tudo em tempo.
o ódio transforma-se em tempo, o amor
transforma-se em tempo, a dor transforma-se
em tempo.

os assuntos que julgávamos mais profundos,
mais impossíveis, mais permanentes e imutáveis,
transformam-se devagar em tempo.

(...)

José Luis Peixoto; "Explicação da eternidade", in A casa a Escuridão
"2011 Parte II" ou "My own new year's Resolution"


21h, saio apressada do hospital, aceno um “adeus” ao segurança que me retribui com o mesmo sorriso de todas as noites. Saio apressada porque vou ter com ele, o carro espera-me no “sitio do costume”. Está a chover, sento-me no carro e encharco a baquet que carinhosamente apelido de “sala” e, antes que da minha boca saia alguma palavra, abraça-me como se não me visse há anos. Abraça-me com força, tanta força que do emaranhado de dois braços (que parecem mil) a envolver-me consigo dizer “Amor, falta-me o ar! ” “e tu faltas-me a mim…” diz desavergonhado com o sorriso habitual. É o meu moreno, cabelo castanho, despenteado, com o esboço de alguns caracóis a desafiarem-me os dedos a entrelaçarem-se neles. Temos os nossos rituais, os nossos lugares, somos no anonimato aquilo que muitos fingem ser publicamente com a diferença, que ambos sabemos que o romantismo é, como diz o Fernando pessoa “como um traje, que, como não é eterno, dura tanto quanto dura; e, em breve, sob a veste do ideal que formámos, que se esfacela, surge o corpo real da pessoa humana, em que o vestimos. O amor romântico, portanto, é um caminho de desilusão.” Somos felizes porque somos livres, desprendidos há muito de expectativas que não sendo falsas, têm tanto de verdadeiro quanto o tempo tem. Não fazemos promessas nem juras de amor, mas quando nos perguntam “como vai ser amanhã?” respondemos quase em uníssono “não sabemos, mas gostamos muito de estar um com o outro” e é tudo quanto nos basta agora. Ele conhece-me melhor que ninguém e eu a ele. É diferente mas (tão) igual a mim, perspicaz, inteligente, interessado e sempre, sempre bem-disposto a desafiar o mundo com um sorriso infantil. É o meu companheiro de todos os crimes, de todas as horas. Compactua com os meus devaneios nocturnos e acrescenta sempre algum peru-menor importantíssimo. Somos a dupla quase perfeita de assassinos, de ladrões e juntos cometemos os delitos mais sórdidos, como: comer uma dúzia de pastéis de Belém de uma vez ou percorrer Lisboa inteira em busca do local ideal para fotografar numa tarde. Temos fases como a lua “Fases de andar escondida, fases de vir para a rua (…) Tenho fases de ser tua, tenho outras de ser sozinha ” mas o amor, ou o que quer que seja que nos faz gostar de estar um com o outro, é sempre mais forte e quando não for, é porque não tinha que ser… Somos meio-principes-meio-sapos, e de todas, esta é a nossa maior virtude. Aprendemos a viver disfarçados e, apesar de compreendermos todo o funcionamento deste ecossistema de sapos grandes, mantemo-nos fiéis a nós, à criação e àquilo que acreditamos ser, não o correcto ou o errado, mas o verdadeiro nos nossos corações.


Façam as vossas resoluções para o Ano que aí vem, esta pode ser "A minha resolução" ou apenas um devaneio.

Feliz Ano Novo queridos cúmplices ;)
Das tripas coração


O coração é um animal selvagem
e não há quem consiga domesticá-lo.
Os sonhadores


Today my heart swings diz:
Bom dia!
Today my heart swings diZ:
esses sonhos?
Miss diz:
não sonhei...
Miss diz:
sonho demasiado durante o dia, tiro as noites para descansar ;)
(...)
Today my heart swings diz:
os sonhadores? nunca viste? é um bom filme para ti
Miss diz:
ja me falas-te nele…
Today my heart swings diz:
É sobre 3 jovens que se conhecem por alturas do maio de 68 em paris, tds adoravam cinema e gostavam de fazer jogos, charadas ou mimica dos films
Miss diz:
uma conjugaçao gira, cinema, paris, charadas hummm…
~


Fica a sugestão para uma tarde de outono.
Humpf



Há meses que não é domingo no meu calendário… E eu com tanta vontade de ir até à praia, sentar-me na esplanada depois do passeiozinho à beira mar a desfrutar dos escassos raios de sol de outono e a fazer de conta que afinal, o verão não está assim tão longe…

A magia do outono e o meu dia de anos.


O dia decorria normalmente para o que é esperado num dia de anos. Almoço com as gatoras na pizzaria, sangria, uns brindes para aqui, umas piadas para ali, as prendas, as fotografias e os parabêns. Era o primeiro dia de outono digno do nome, com um dilúvio bíblico e eu, na estação dos comboios, sem saber como atravessar o sinuoso (e encharcado) percurso entre a porta da estação e a paragem do autocarro quando, sem perceber de onde, ouço uma voz sussurar :

“Vais apanhar o autocarro?”
“Vou...”
“Queres boleia no meu guarda-chuva!”
“Já agora...”
(Do mp3 ligado e do único phone que tinha posto, ouviam-se os james a cantar o “sometimes”)

Pode não saber como me chamo, o que faço ou onde vivo. Pode não saber que bato palmas quando as coisas me correm bem, que até me levantar o despertador tem de tocar precisamente 3 vezes, que tenho um sinal no centro abaixo das clavículas e que odeio comer favas. Não sabe que sou refilona e que adoro fazer carreirinhas na praia. Não sabe o nome de nenhum dos meus amigos, nem a minha música ou filme preferido. Não sabe nada sobre mim. Mas proporcionou-me o melhor e mais cinematográfico final de dia de anos que poderia arquitectar.
a música
a fotografia
a sétima, a primeira e todas as artes
caracóis com minis!
noitadas com as "garotas"
bugigangas orientais
Bossa Nova
chá-á-á, chá da india, chá da persia, chá chinês!
a casa do alentejo e a casa do algarve em lisboa
o romance
a praia
a praia e o romance!
a Primavera
a "azáfama natalícia"
comer três pasteis de belém de seguida!
o Jeff Buckley
a Amlie Poulain
margaritas!
fazer listas por tudo e por nada!
(...)
Eureca!

Miss diz:
olha, acabei de escrever este pseudo-post:

Miss diz:
“Nada aconteçe por acaso. É da nossa responsabilidade fazer com que assim não seja. Se deixarmos os acontecimentos passar sem reflectir sobre eles, se não procuramos tranforma-los em experiência, isso é deixa-los desvanecer no acaso. Actualmente, tento encarar todas as situações que a vida proporciona como hipóteses que o universo nos confere de sermos pessoas melhores. E todos os dias deixamos passar tantas dessas ocasiões sem sequer reparar nelas. A vida são dois dias (eu acho que nem isso) e ainda que sejam mais, o importante, é a plenitude com que vivemos os momentos, porque o momento, o agora, é tudo o que temos e senão o soubermos desfrutar, não temos nada!”

Today my heart swings diz:
está bem visto. carpe diem

Miss diz:
quando tenho estes rasgos de lucidez, tenho a sensação que ando a maior parte do tempo na escuridão

Today my heart swings diz:
é sempre assim. por isso é que o outro disse eureca

Miss diz:
...porque precisamos de estar na escuridão para saber o que é a luz

Miss diz:
se o “outro” nao soubesse o que era a não-eureca, nao sabia o que era a eureca

Today my heart swings diz:
claro, um momento não sabia, no outro fez-se luz!!
“Rufus soltou estrelas pelo Coliseu de Lisboa.”


Diz assim a manchete do blitz desta manhã. Foi fabuloso. O senhor Rufus Wainwright superou-se numa noite mágica em que desde a professora de yoga à mãe, Kate, ninguem ficou de fora do palco. Muito bem disposto (e muuuuito gay), este senhor encantou toda a gente com o seu bom humor, com as melodias e com as suas indumentárias que passaram por um fato tirolês, com o qual cantou uma música que, para mim, foi o momento alto da noite, em que resolve afastar os microfones e cantar para todo o coliseu. Seguiu-se a segunda parte na qual se apresentou vestido de roupão e posso garantir que, a partir de ontem, muita gente pode assumir em público que já chorou com um músico a cantar de roupão (palavras de um comentário no blitz). Mas não ficou por aqui. Quando todos já pensavam que tinha terminado, eis que Rufus despe o roupão e, ainda em palco, veste-se de travesti in cabaret com direito a baton rouge, high heels e chapéu noir, qual Lisa Minelli em New York New York. Ah, e adorei o pormenor das estrelas fluorescentes no piano de cauda.
E assim se passou uma noite muito agradável na companhia deste senhor hilariante com uma voz fenomenal capaz de arrepiar , sem microfone, um coliseu inteiro!

Princesa (o regresso)




Detesto ser mal interpretada. Detesto mais ainda que me substimem. E descobrir que tentaram passar-me a perna de forma amadora ou que me compararam com "amadores", deixa-me quase humilhada. Mereço mais e melhor.