Sabes o que queria?


Queria um céu azul de nuvens algodão doce. Queria-me deitada na areia fina, contigo a meu lado, a ve-las passar, a apontar e a dizeres “Olha, parecem coelhos” ou qualquer coisa parva que me desfaz em riso. Queria deitar a cabeça nas tuas pernas e abraçar a ideia sortuda de nos termos encontrado enquanto me tiras o cabelo dos olhos e pões a mão na minha cintura.
Não te posso dizer o que me atravessa a mente quando o mar me invade os olhos e as narinas e os ouvidos. Com a água salgada vem tudo o que as palavras não conseguem agrupar em frases.
É o mundo inteiro, o que existe contigo e o outro também, é o que vem e o que vai, é um barco e um gira-discos, o que me prometeste e o que me prometi a mim também. És tu e sou eu, somos os dois e o que não fomos e o que se calhar nunca vamos ser. É o achar-te diferente de mim num segundo e ver-te tão igual e tão entranhado no outro. É o sermos livres e termo-nos um ao outro e pensar para mim “nunca fui livre, sempre fui tua estupido, estivesse onde estivesse, com quem fosse, a fazer seja o que for. Não há nada que dilua a tua presença em tudo o que faço, mesmo nao sabendo onde andas, com quem andas, não preciso de saber nada disso, só que estou contigo e isso chega-me . A tua vida para lá dos meus muros só a ti pertence e eu confio em ti, apesar do que dizes e do que aparento”. E eu não te vou dizer isto tudo, porque “há coisas que não digo, mas nunca esqueço”.
Aperto-te a mão com força, tenho grãos de areia entre os dedos que arranham os maus pensamentos.
Aliso o chão ao lado da tua perna com a palma da mão, penso no quanto gostaria que a vida te fosse lisa, e o mar continua no seu encadeamento, vem à frente, volta atrás e respira fundo, avança mais um bocadinho.
Bem vistas as coisas, é o que nós fazemos também, não é? olha bem e diz-me se não tenho razão, andamos para trás um bocadinho e sempre que recuamos, ganhamos balanço para sermos maré cheia, nem que seja por um momento pequeno. A saber eu que esse momento volta, não me importo de vazar vezes e vezes sem conta.
Frida Kahlo no CCB


“A coluna partida“, “O Suicídio de Doroty Hale” (fui agora ao google – amén -descobrir os nomes, porque até há bem pouco tempo era uma ignorante da vida e obra de Frida Kahlo) lembro-me de olhar para eles e pensar “como é que alguem reconhece nisto mais do que cenas mórbidas, nuas e cruas pintadas a cores folclóricas?”. Estes e outros quadros sempre me intrigaram a ponto de me incomodar a ideia de alguem gostar deles...até que vi o filme com a bela da Selma Hayek transformada em Frida kahlo, e finalmente percebi que é impossível entender as pinturas de Frida Kalho sem conhecer a sua vida. Era impossível alguma vez compreender o “Meu Vestido Pendurado” , que nem era dos que mais me incomodava (e que agora adoro) sem saber da estória por trás. No fundo, é como certas músicas que até já gostamos e que depois de compreender o seu significado para quem as escreveu, gostamos mais ainda porque passamos a perceber nos versos mais do que eles querem dizer...Assim sendo, para quem gostar ou tiver curiosidade de conhecer, está no CCB até dia 21 de Maio a “maior exposição europeia sobre Frida Kahlo”...eu vou lá amanhã, logo vos conto como foi muahhh!

Não se "acanhem"


Ninguém nasce a ouvir Jeff Buckley, nem vale a pena mentir e dizer que se andava a começar a coleccionar a discografia do Buddy Holly aos seis anos, ou que aos nove o que mais adorávamos cantar no duche era o Hallellujah do Cohen.
Todos ouvimos música foleira. Eu ainda gosto de algumas e canto-as a arrumar o quarto ou passear o meu cão...Eu digo-vos as minhas, digam-me as vossas!

"All that she wants" dos Ace of Base (esta é uma all-time favourite para lavar a loiça e tomar banho) e "wake me up, before you go-go…lala" dos Wham. Depois vem a
"Always be my baby" e "I Will Always Love You" da Mariah e da Whitney respectivamente , porque uma nunca pode vir sem a outra, e porque é impossivel não saber aquelas letras tão profundamente dificeis de fixar depois de tocarem tantas vezes na radio.
Os Roxette, o Paulo Gonzo ( desculpa querido =Þ) e aquela da Dina do “Peguei trinquei e meti-te na cesta” , que cantei pela última vez com a cabeça fora do carro e os olhos fechados (só porque realmente não os conseguia mesmo abrir, por causa do vento) depois de terem falado mal do “pó de arroz” e da “cinderela” do Carlos Paião, que não merece porque foi dos únicos a fazer Pop bem feita sem cair na foleirice, cá deste lado do planeta;). E para terminar as "já fui ao brasil, praia a bissau, angola, moçambique...lalala" dos Da Vince e o “Forever young” dos Alphaville.

Pronto, este é o meu Top...Existem outras mas agora não me lembro. Vão debitando, eu hei-de lembrar-me de mais qualquer coisa.
Travelling...

Quero ir ao Brasil.
Mas também gostava de ir à Eurodisney outra vez, andar dez vezes seguidas no Space Mountain, ou à Isla Mágica em Sevilha andar naquela montanha russa invertida que só de olhar doi-me o estomago. E também não me importava de ir à Covilhã ver os meus primos. E porque não um fim de semana no Porto? Entretanto, não seria mal pensado conhecer a casa da minha tia “emprestada” em Moçambique e passar o dia a comer mangas arrancadas da árvore que ela tem no quintal, em frente à praia. Ou se calhar, podia dar um saltinho à Transilvânia, só para ver como é o castelo do Drácula de perto. Mas não, não, eu queria mesmo era ir a Barcelona e ver todos os museus e sítios que deixei por visitar...Ou em vez disso, ir até aos Estados Unidos e atravessar aquilo tudo de carro, ir até New Orleans ouvir os velhotes tocar, conhecer mestres obscuros do Blues no Mississipi, dormir ao relento no Grand Canyon (e levo o meu cão para comer os escorpiões e isso), ir até Roswell porque “Yo no creo en brujas, pero que las hay...” ou sei lá, ir a São Francisco passear-me naquela rua que parou nos anos 60´s...Só que depois, começo a pensar e realmente, eu nunca fui a Itália beber os capuccinos que a Inês tanto fala...nem a Viena de Austria passar um dia e uma noite pelos caminhos que o Jesse e a Celine percorreram, dar um beijo na Roda Gigante e ouvir cantar um poeta de rua...Mas bom bom eram uns diazinhos em Porto Covo ou Vila Nova de Mil Fontes ou na Zambujeira... E também era capaz de ser engraçado ir ter com a Sara a Madrid, ou com a Margarida à Holanda, ou com a Vania aos Estados Unidos...
“...tu cabes dentro de mim”


As vezes olho para ti e vejo-te do tamanho de um dedal...pequenino, mais pequenino do que eu, de olhos arregalados com essas linhas semi-transperantes que te circundam a irís e onde me encontro quando te demoras sobre o meu rosto...Ás vezes olho para ti e vejo-te do tamanho de um rebuçado, quando bebes a água fresca e dizes acriançado que “gostas tanto de água”, quando me agarras pela cintura e elevas no ar a deitar a lingua de fora à gravidade...a gravidade, a matemática, a química, a física quântica, nada faz sentido ao pé de ti, desafias o mundo com uma audácia indecente...indecente, “não tens vergonha nenhuma” dizes-me, “e tu também não” digo-te, vamos para o inferno, mas vamos juntos e ao menos está quentinho, “bem passadinho” como nós gostamos...Ás vezes olho para ti e vejo-te como se nascido de uma bola de sabão, vais onde o vento te levar ; e vejo-me como se nascida da espuma da praia, vou onde a maré me deixar, eu voou contigo e tu viajas comigo, qual conto imaginário da minha sophia onde cresci e me fiz criança...criança é o que tu és e como me fazes sentir quando damos as mãos e encolhemos e o mundo cresce, um mundo perdido onde as horas são nossas, a chuvinha cai e não há limites...limites, não os temos, “para o infinito e mais além” gritas enquanto eu, co-piloto nos dirijo “seja lá para onde isso for”, nem interessa (do inferno já não escapamos mesmo)...Ás vezes olho para ti e vejo-te do tamanho de um botão , como se ao agarrar-te coubesses na minha mão...e cabes, cabes tão direitinho na palma da minha mão...e eu melhor ainda dentro da tua.
You Are Most Like Miranda!

While you've had your fair share of romance, men don't come first
Guys are a distant third to your friends and career.
And this independence *is* attractive to some men, in measured doses.
Remember that if you imagine the best outcome, it might just happen.


Romantic prediction: Someone from your past is waiting to reconnect...

But you'll have to think of him differently, if you want things to work.



Quem diria, sempre achei que era um misto de Carrie com Charlotte ( e um bocadinho de samantha) ;)


Eu não consigo, não sei, nem quero aprender a viver sem música nem cinema. E quando vejo maus filmes ou ouço más bandas/músicas para mim é massacrar aquilo que considero ser do melhor que o homem tem capacidade de fazer.
Posto isto, ontem vi o “History of Violence”, que por ter estado nomeado para dois oscares, para palma de ouro em cannes e não sei se para algum globo de ouro, julgava um bom filme...bom filme “o tanas!”, um horror mas um verdadeiro e puro horror. Tudo bem que não sou adepta deste genero de filmes, e isso talvez faça parecer suspeito aquilo que digo, mas de qualquer forma um bom filme não é aquele que agrada até mesmo aos não-fãns e os faz pensar ao sair da sala “sim senhor, um bom filme dentro do genero”? ainda para mais um filme tão bem aclamado e com estas nomeações.
Não gostei do argumento, uma história que não traz nada de novo, e se em algumas críticas li várias vezes que “É sobretudo a violência crua/fria que se destaca neste filme” eu diria que é sobretudo a violência ridicularizada e exagerada, um exagero do principio ao fim com o protagonista a fazer as vezes de super homem a matar tudo e todos com um pé engessado e um tiro no ombro, já para não falar nas cenas de sexo e nudez despropositadas. Isto não é a vida como ela é...pelo menos a minha.
Imediatamente a seguir ao filme é claro que se gerou discussão em torno do assunto, com uns (a maioria) a defende-lo e outros (eu e ele) perplexos . Tenho sempre uma atitude passiva nestes casos, na espectativa que os que gostaram me convençam com argumentos válidos do porquê de o acharem um bom filme, mas a verdade é que isso não aconteceu e eu continuno na mesma.
Que existam filmes como este não me preocupa. Preocupa-me sim que tenham destaque e tanta exposição em detrimento de outros, certamente mais interessantes, e que existam pessoas que os levem ao colo... “É uma questão de gostos” como se costuma dizer para acalmar as discussões em vez de as levar ao cerne. Sim, é uma questão de gostos mas é estranho na mesma e continuo sem compreender...Será que não o vêem, como eu vejo? “Se calhar esta-me a escapar qualquer coisa” dizia ele...pois, se calhar está-nos a escapar qualquer coisa querido.
Post (este sim) fútil : 10 things i can´t live without

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-my pillow
-my glasses
-music records
-magazines & books
-strawberry cheese cake
-Internet
-photo camera
-Pencil
-Trains
-Sunset…


...e vocês?

Literatura "bomba de gasolina"


É uma discussão recorrente entre mim e amigos meus, a do Paulo Coelho vs. literatura (e quem diz Paulo Coelho diz qualquer um desses escritores de bomba de gasolina ou da Pergaminho em geral). No fim, parece-me que ninguém fica mais esperto e acaba sempre em relativa confusão, com os que gostam a chamar-me arrogante e com os que não gostam, e até concordam comigo, a ser politicamente correctos e a chamar-me arrogante também, num gesto que para mim será sempre um misto de condescendência (que às vezes é mais arrogante ainda)com uma vontade compreensível de não discutir gostos, de ficar de bem com todos os interlocutores, de não alimentar mais conversa e de uma série de outras razões que nem importam muito ao que vou dizer agora.
Acontece que eu gosto de ler. Gosto MUITO até, faço-o com devoção, às vezes devoro livros aos três e quatro de uma vez, já li muito e sei que não li nem uma ínfima parcela do que gostaria de ter lido e encontro nos livros uma forma de melhorar a forma como escrevo, como me expresso, como vejo o mundo e as pessoas em geral. Aprendo e descubro com muito prazer os clássicos, os contemporâneos, os históricos, os romances, os policiais, os contos, tudo o que me vier parar à mão. Ou quase tudo.
O respeito que nutro pela literatura em geral faz-me questionar uma série de coisas (tal como faço com a música, com o cinema ou tão simplesmente, com a comida) e o Paulo Coelho é uma das que mais me impressiona e que desconfio nunca vir a ter capacidade de aceitar e/ou compreender. Já li quase todos os livros dele (tive o infortúnio de receber, num aniversário e de uma assentada só, pelo menos 4), li A Brida, O Diário de um Mago, O Alquimista, o Verónika decide morrer, até o Maktub (livrinho engraçado no meio disto tudo), sei lá que mais, e de todos (menos do primeiro) restou-me a mesma sensação que teria se fosse comer no MacDonalds, uma sensação profunda de estar a ser enganada, de ler uma e outra vez o mesmo e único livro, vazio, escrito para fazer dinheiro, intelectualmente desonesto. O Paulo Coelho é fastfood e, se ninguém contradiz que o fastfood é nefasto para a saúde, porque é que ninguém questiona os efeitos colaterais no leitor dos livros dele? Porque é que ninguém questiona a falsa mensagem de magia, de Richard Bach formatado (sim, pois, vai onde te leva o coração, já sabemos, já sabemos), de ouçam-os-conselhos-do-mago-que-eu-é-que-sei? Porque é que ninguém questiona a pobreza daqueles livros?
Já ouvi de tudo e nada me convence. Já me disseram que mais vale as pessoas lerem aquilo do que não lerem nada, que é uma questão de gostos, tudo argumentos falaciosos. Não é verdade que mais vale as pessoas lerem aquilo do que não lerem nada, não é.
Não digo que ninguém deva ler o Paulo Coelho, não é nada disso, cada um come o que quer e eu sei que há muita gente que gosta do MacDonalds, apesar de achar isso insano. A questão é que me parece importante que se chamem as coisas pelos nomes e acho ofensivo para a classe que se chame escritor ao Paulo Coelho (tal como acho ofensivo que se chamem hamburgueres do Macdonald). Aquilo até pode ser levezinho, ler-se bem, pode ser entretenimento mas nunca vai ser culturalmente relevante, nunca vai ser um livro, nunca vai ser bem escrito, bem imaginado, bem nada. É uma salada de legumes enlatados, uma sopa instantânea, um saco de cebola desidratada que incha com água. Existem dezenas, centenas, milhares de escritores 'leves', com livros fáceis de ler, divertidos, imaginativos, livros que falam de magia também, livros que dão mensagens de esperança, livros bons para levar para a praia, para ler no comboio, para ler só por ler mas, ora bolas,só não têm máquinas gigantescas de marketing atrás. Os seus autores não se fazem passar por magos sérios, são apenas escritores, provavelmente nem vendem assim tanto porque não são conhecidos nem polémicos. As prateleiras das livrarias e das bibliotecas ardem de tanto livro à espera de ser descoberto e aí, entra novamente a lógica do fastfood. Paulo Coelho é fácil, não é preciso procurar, encontra-se até nas bombas de gasolina, não dá trabalho nenhum. Ou seja, no fundo até se sabe que é mau, mas oh, está aqui mesmo à mão de semear, até nem é caro e toda a gente conhece.
Um prego será sempre mais verdadeiro que um hamburguer do Macdonalds, digo eu, e no fundo até custa o mesmo. Ao menos sempre é carne de verdade.
Hey ladies, today is our day so...

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e o meu preferido...Free Image Hosting at www.ImageShack.us Free Image Hosting at www.ImageShack.us Free Image Hosting at www.ImageShack.us


- Querido, são quase horas de irmos.
- Só mais três minutos amor...
- Está bem, só mais três minutos.


Só mais três minutos e depois mais três...não te queres levantar, eu também não, mais três minutos, só mais um bocadinho. Não tarda corremos de encontro às nossas margens opostas do rio , descabelados, atrasados, amarrotados de sono incompleto, são só três minutos mas são sempre minutos a mais. Minutos que são horas e as nossas sempre mais que as dos outros, porque vão cheias de riso, sonho e paixão, esperam pela tarde com uma ansiedade inusitada, juntando-se ao fim do dia como se nunca se tivessem juntado antes...e assim se constróem, se enlaçam, se reconhecem umas nas outras. São aos nossas horas, é o nosso mundo. E termos um mundo para nós já é muito, muito mais.
Before sunset, outra e outra vez...


Dentro da Cúmplice existem muitas Cúmplices. Tal como dentro dos Ricardos, das Marias, dos Luizes, dos Antónios, das Margaridas e dos Tiagos e das Saras e dos Josés e dos Carlos e das Carlas. Somos todos muitos cá dentro, muitos lá para fora, muitos para nós próprios, quando estamos sozinhos com os nossos pensamentos, e, de vez em quando, uns para algumas pessoas e outros para outras. E todas nós, todas as Cúmplices reencontrámos Céline e Jesse, nove anos mais velhos, como nós, nove anos mais cínicos, como nós, nove anos mais românticos, como nós e apesar de tudo.
É certo, não cheguei ainda, no bilhete de identidade, ao cinismo trintão, retro(intro?)spectivo de nenhum deles, não tenho filhos nem casamentos falhados atrás de mim, mas de tudo o que a vida deu e tirou, de todas as músicas e silêncios, de todas as asneiras e passos em falso, das viagens e das paragens e mais que qualquer outra coisa, dos amores e desamores dos meus curtos mas cheios dias, retirei um je ne sais quoi de trintona precoce, seja lá isso o que for, que me deixou ontem e mais uma vez eufórica e deprimida, desconfortável e demasiado dentro do filme do Linklater, escrito em parceira com o Ethan Hawke e a Julie Delpy, esses grandes, grandes sacanas.
Ao longo do filme, desfila o que eles foram durante os nove anos de separação, e com a tensão presente desde o primeiro minuto, algures desfilava no écran aquilo que eu fui, coisas que eu vivi, momentos embaraçosos iguais aos meus, as minhas crenças e as minhas tristezas, as minhas alegrias e a minha solidão e a minha Nina Simone, as minhas músicas e os meus namorados, os bons e os maus.
E no fim do filme, olho para a Sara e na cara dela, o mesmo ar meio neurótico de quem, a rir, tem muita vontade de chorar e se sente violada no mais íntimo de si por um filme, porra, um pedaço de película de m****, pah. É ficção!
Mas então, porque se é ficção, e porque se é mesmo só um filme, porque é que mexe assim connosco? Porque é que nos sentimos expostas assim, eu e ela, de vidas tão diferentes, sentadas num sofá às escuras a olhar a nossa vida ao espelho, como tanta gente que já viu e, provavelmente, sentiu o mesmo desconforto e a mesma identificação irracional?
Porque não encontrámos respostas a nada, rendemo-nos à insanidade proporcionada e escolhemos não questionar mais o que somos, se cínicas, se românticas, até porque no fundo, somos as duas coisas. Tal como os outros todos, vocês todos que são tanta gente aí dentro das vossas cabeças e já foram e são e vão continuar a ser, Céline e Jesse, tantas vezes ao longo das vossas vidas. Se é bom, se é mau, não saberia dizer-vos nem que quisesse - e não quero - mas para mim, e na certeza que a grande maioria discordará, este é um dos filmes mais bonitos que vi na vida. Como naquela cena no "Beleza Americana" em que ele chora com a beleza de um saco de plástico a voar, este filme é feito de pequenas coisas tão insuportavelmente bonitas que pela primeira vez em muitos anos, o bonito me doeu aos limites da esquizofrenia.
Dos diálogos brilhantes aos pequenos gestos, o grandioso deste filme bebe a sua magia na contenção. Uma contenção esmagadora. Assassina. Fatal para os fracos de coração.
E eu sou uma fraca de coração que nunca mais fui a mesma até hoje. As silly as it may sound, o raio do filme partiu-me , parte-me , e partir-me-a sempre aos bocados.
Para Elas...

Naquela altura não passávamos de miúdas, o mundo era estranho (ainda é) e o Kurt cobain era vivo. Tínhamos as nossas paixões assolapadas mas nunca gostamos dos mesmos rapazes, já sabíamos que o mais importante éramos nós, as melhores amigas do mundo inteiro. Eu era a miúda que gostava de caminhar pela linha do comboio, deixar pedras nos carris e equilibrar-me ao longo do caminho - vocês já não achavam tanta piada a isso, às vezes zangávamo-nos, mas éramos atinadas. Tínhamos boas notas sem estudar muito, (sem estudar nada). As vezes íamos para a varanda da Margarida estudar, pois sim...Comprávamos as nossas revistas parvas, a Super PoP, a Bravo e mais tarde quando já nos achávamos “grandes” , a ragazza [eu sei que ainda a compras sara, mas não conto a ninguém;)].
A viagem a Paris, momento “fatídico” nas nossas vidas, vivemos com intensidade aqueles dias passados na cidade luz, chorámos, chorámos tanto no abraço umas das outras lembram-se? Quiseram-nos separar, e por algum tempo acreditei que conseguiam. Traímo-nos umas às outras, estúpidas!! A Sarah num grupo diferente, eu e os rapazes, a margarida e as miúdas da turma C...morri de ciúme e engoli-o para não perceberem que me afectava, que me irritava andarem de um lado para o outro como se fossem as melhores amigas, mas não eram e quando nos apercebemos voltamos para nós, chorámos outra vez e perguntámo-nos meio a rir, meio a medo, se aos dezoito ainda íamos ser amigas. Que disparate. Claro que sim...Nem tudo foi mau, tínhamos um quarto só nosso onde queimávamos incenso a toda a hora, tínhamos os cremes, vernizes espalhados na mesa encostada a janela com vista “pour lá université” e no armariozinho ao lado, as bolachas que todas as noites eram motivo de saques...e por mais anos que passem nunca me hei-de esquecer daquela noite em que uma febre esquisita não me deixou dormir e tu mana, ainda que perdida de sono, passas-te a noite do meu lado a pôr-me panos frescos na testa para a febre baixar -um gesto de amizade comparável ao segurar a testa de alguém quando vomita. Quiseram-nos separar e ”virou-se o feitiço contra o feiticeiro” (se tivesse algum provérbio preferido seria este).
Depois da viagem, vieram os anos do Edson e a minha primeira saída para Almada velha, o Manecas, a Tasca do cão e mais tarde a Cerca da noite, noites longas que lá passávamos. Os namorados, os flirts...As incursões a Lisboa e as varandas dos cacilheiros no por-do-sol. O karaoke na casa da margarida (guarda bem essa cassete esteja ela onde estiver, pode ser a nossa desgraça). O primeiro cigarro no sótão, as t shirts compridas do Mário que usávamos para disfarçar o cheiro , eu ria-me porque isso não tirava o cheiro dos dedos e gozámos muito porque afinal, aquilo não fazia tossir (só Á Sarinha, vais-me odiar depois disto lol). Depois corríamos para o elevador, mas antes escondíamos o maço entre as telhas do telhado com medo de ser descoberto e desconfio que ainda lá esteja...E desse primeiro cigarro, as primeiras tonturas, os nossos grandes desatinos, outras descobertas ainda menos salutares. Os caminhos, minhas amigas, andaram separados, cada uma seguiu o seu caminho como tinha de ser, mas sempre, sempre, sempre, bem cá no fundo, estavam ( estão) vocês. Sempre foi para vocês que regressei, sabem disso. Foram sempre vossos os primeiros braços que procurei a cada regresso. A cada pedaço de coração partido. A cada partida. Partilharam (e partilham) tudo comigo e eu com vocês.
Hoje, olho para vocês passados estes anos, que nem foram assim tantos (mas os suficientes para encher de recordações uma caixa de sapatos forrada a papel de lustro com borboletas) , e tenho orgulho das pessoas bonitas que se tornaram. Continuam a ser vocês, confidentes, amigas, irmãs. O que sentimos não se compara a nada no mundo, sempre dissemos que bastava uma de nós ser do sexo oposto para estarmos casadas e é mesmo assim, mesmo assim. Os laços que nos unem são mais fortes que qualquer outro, os vossos namorados sempre o souberam, os meus também, nunca pudemos gostar deles com tanta força. Ninguém entende os meus silêncios como vocês, ninguém entende os vossos abraços como eu...


Desculpem-me a repetição, mas elas merecem.
POP UP hour...


Todos os sábados às 14.30 na rtp2 sou audiência deste programa que fala da cultura urbana, das novas tendências em áreas como a musica, teatro, moda etc no formato alternativo que esta estação televisiva nos tem vindo a habituar. A rtp2, que se por um lado me surpreende, deixa ainda margem para algum descontentamento pela forma como, a meu ver, é deixada ao abandono na vez de ser aproveitada e explorada. Mas voltando ao POP UP, bom programa, bom formato a uma boa hora mesmo para os friday night loverss.