Solidão

Hoje deitei-me ao lado da minha solidão.
O seu corpo perfeito, linha a linha
derramava-se no meu, e eu sentia
nele o pulsar do meu próprio coração.

Eugénio de Andrade




















Libertação....

Inebrio-me pela noite.
Imerjo do imenso manifesto negro de luzes que, apagadas na baça claridade do dia ,se entranham à noite nos corpos dispostos à loucura...e faço-me musica .Deixo-me soar rio acima, enquanto a cidade anoitece numa aparente áurea mediana .
Secreta amante da noite, é ela , a cidade quem sempre esconde os fantasmas noctívagos da promíscua neblina e os engole a tragos largos pela madrugada, restando apenas nas avenidas o silencio estridente da liberdade. Liberdade sim...só a noite permite tal descompromiso. Na escuridão as mascaras caiem, os estranhos vultos dançam como quem se desobriga espantosamente da rotina à medida que o som aumenta nas cabeças ensurdecendo-os da realidade. É isso que procuram, a amnésia momentânea , o esquecimento consciente da vida diurna que logo retorna, quando letargicamente o mundo amanhece e a cidade acorda...
Entretanto...


Despida, esquecida no plano infinito do entardecer ,procuro a serenidade na luminosidade diáfana aconchegando-me ao crepúsculo e observando o declínio lento, ondulante do sol extinguir-se no reflexo dourado da parede do meu quarto...Caídas no chão, fotografias, palavras e fragmentos de memórias despropositadamente amortecidas pelo o tempo...
Desvio o olhar da confusão, perturba-me apesar de nela me refugiar quando o coração fraqueja...
Ah! que saudade do verão, das tardes calorentas e dos dias passados com amigos dos quais os sorrisos nunca se esquece...que saudades de ti...


Um beijo enorme para o Tiago que faz hoje anos =), Parabéns !! que este “carrossel “ te encha de coisas boas e que sigas sempre de “peito firme” ;) desafiando o mundo com esse brilho cativante no olhar*

O olhar não engana...


Um olho normal (à esquerda) e outro com a pupila dilatada (à direita), um dos primeiros sinais da atracção.









E o escutismo é assim...


Tengo Ganas de Ti.....

De ti tenho sede.
Minha boca arde demoradamente
Na secura da volúpia
embebida na paixão ausente
que consome e arrepia.

De ti tenho fome,
Só a tua intrepidez contenta
Meus ímpetos libidinosos,
Empregnados na pele sedenta,
dissimulados nos gestos insinuosos....




Jenni Tapanila

Saudades de Paris....


"Viajar? Para viajar basta existir. Vou de dia para dia, como de estação para estação, no comboio do meu corpo, ou do meu destino, debruçado sobre as ruas e as praças, sobre os gestos e os rostos, sempre eguaes e sempre differentes, como, afinal, as paisagens são."

Bernardo Soares, Livro do desassossego
Ao som de uma guitarra...

Adormecida, como que embriagada pela doce nostalgia do inverno , aqui me deito observando a sonolência da tarde levar-me nos reflexos dourados para outros céus, que não este que se dissipa sobre mim. Submissa à melodia inebriante da saudade e, com olhar perdido permito-me, afundo-me na imensidão de sonhos disfarçados, ansiedades e desejos platonicamente escondidos, tantas vezes retraídos e acumulados na veemência da inquietação da alma e do corpo...Ah! que inoportuna é a persistência desmedida dos desejos indesejáveis...
Pego na guitarra, tentando esquecer-me do mundo e do tempo que não passa, pesa-me nas mãos Cansadas de carregar tantos livros, tantos dias...Esboço um som inicialmente estranho e continuo arranhando as preocupações como uma musica inacabada e sem sentido. Apetecia-me ouvir-te tocar amigo....


Amigo

"Oiço a tua guitarra tocar, dedicação, paixão.
Pela música, pela nossa amizade.
Sem dar-mos por isso, evoluímos.
A música é cúmplice, as letras partilhadas.
Como costumamos cantar:
"Vivemos com arte criamos a nossa parte"

É um projecto, com um nome hilariante
como nós? Sim, como nós!
Seremos o que queremos
"Persistência é uma virtude
Que junto à música me faz sorrir"

São mais que ilusões, digo-te
E deste carrocel em que juntos estamos,
juntos sairemos,
com um sorriso maior do qu entramos
"Sem medo de qualquer papão
Vamos de peito firme"

Obrigado por existires, Tiago Caseiro."
Escrito por : O Disperso

Faço minhas as tuas palavras Disperso...
- Não gosto que digam adeus...
- Porquê?
- É muito definitivo...
- Eu gosto.
- Eu não. Nunca me digas adeus...diz antes até logo...

hummm....

Estava a ler o ultimo post da yuks intitulado “desodorizante para livros”.
Pois bem, eu sou uma dessas pessoas que não dispensam o cheiro dos livros tradicionais, o folhear ruidoso das paginas tingidas e ás vezes tão frágeis, desgastadas pelo o tempo...
Nada tenho contra e-books, a escolha literária é feita mediante as vontades de cada um e como tal, qualquer hipótese é valida quando o desejo é um só : Ler. Mas confesso que tenho uma paixão já antiga pelos livros, não há nada como poder riscar , sublinhar as páginas e quase rasga-las pela emoção que em alguns livros se sente á flor da pele. Melhor ainda é pedir livros emprestados sem nunca os devolver, e emprestar novamente a alguém ficando em cada livro para alem da sua, as histórias de todos os que a desfrutaram e nela deixaram as suas marcas... Este é o delicioso “poder” dos livros, e dele nunca abdicarei.
" You're the closest to heaven that I'll ever be
And I don't want to go home right now And all I can taste is this moment
And all I can breathe is your life"
Como é estranho o tempo...


Há uns dias pensava eu como é estranho uma coisa tão linear como tempo ser definida pelo o movimento cíclico de um relógio, admirável contradição esta.
O relógio é sem duvida um objecto indispensável e muito útil em qualquer situação, mas seremos nós escravos do relógio?
Sim somos, é impossível não o ser já que o tempo é a matéria prima da qual são feitas as nossas vidas, tornámo-nos escravos de uma ideia de tempo criada por nós...
Por outro lado, viver equilibradamente nesta sociedade moderna (e cada vez mais exigente), significa estar em sincronismo com diversos sistemas que tendem a controlar os nossos ritmos diários, sistemas esses baseados fundamentalmente no tempo ,daí a nossa total submissão ao tempo e ao relógio. (Imaginem agora que os relógios paravam sem arranjo possível, é quase inimaginável ...) . É inegável a importância e a necessidade desta submissão abstracta e simultaneamente concreta...Portanto , esta relação, Homem - relógio, relógio - tempo, é uma forma de simbiose uma vez que a invenção do tempo se deve ao homem e um não existe sem o outro embora hoje , seja a invenção quem controla o próprio inventor (virou-se o feitiço contra o feiticeiro).
No entanto, apesar do incontestável carácter linear do tempo tudo se torna relativo quando se remete para a esfera das emoções, das memórias e dos sentimentos. Nas nossas vidas os minutos, as horas, os momentos existem despercebidamente cobertos na nossa ânsia, sucedem-se irepetidamente, sempre com uma duração enganosamente diferente. O tempo parece não correr da mesma maneira quando o prazer e o desejo se conjugam, quando as vontades se misturam nos sentimentos alterando, desafiando o tempo com o descaramento típico dos sentimentos que se escoam nos corpos de quem os sente. E mesmo nestas alturas, somos atraiçoados pelo tempo, pois é quando fazemos coisas das quais retiramos algum prazer e quando estamos com pessoas que nos arrancam sorrisos que o tempo foge , passando por nós velozmente e nós passando por ele sem o agarrar. E o que era presente, passa a recordação, o que era instante torna-se eterno, pois nada há mais imortal que a fragilidade cristalina das memórias. A memória é livre, nela o tempo torna-se intemporal sucumbindo a selvagem vontade da consciência que manipula tudo o quanto nela existe a seu belo prazer...
E já sem tempo para mais palavras ,aqui me deixo neste pedaço de tempo que agora termina.
PROBLEMA DE EXPRESSÃO

"Só pra dizer que te Amo,
Nem sempre encontro o melhor termo,
Nem sempre escolho o melhor modo.

Devia ser como no cinema,
A língua inglesa fica sempre bem
E nunca atraiçoa ninguém.

O teu mundo está tão perto do meu
E o que digo está tão longe,
Como o mar está do céu.

Só pra dizer que te Amo
Não sei porquê este embaraço
Que mais parece que só te estimo.

E até nos momentos em que digo que não quero
E o que sinto por ti são coisas confusas
E até parece que estou a mentir,
As palavras custam a sair,
Não digo o que estou a sentir,
Digo o contrário do que estou a sentir.

O teu mundo está tão perto do meu
E o que digo está tão longe,
Como o mar está do céu.

E é tão difícil dizer amor,
É bem melhor dizê-lo a cantar.
Por isso esta noite, fiz esta canção,
Para resolver o meu problema de expressão,
Pra ficar mais perto, bem mais de perto.
Ficar mais perto, bem mais de perto. "

Carlos Tê
Momento Kodak
17 years of my life...