Filosofia dos relacionamentos (a versão pessimista).

No final de um relacionamento, há sempre “o que é deixado” e “o que deixa” (salvo as raras excepções em que a coisa se dá porque ambos estavam descontentes). Eu já estive nos dois papéis e tanto um como outro são difíceis de sustentar. A grande diferença é que o sofrimento de um (o que é deixado) começa quando acaba o do outro (o que deixa). A rejeição é dura e ninguém escapa de coração completamente ileso depois de uma rejeição. Doi, dói muito, durante muito tempo. E depois (ou simultaneamente) à dor, há o regressar á vida de solteiro, os velhos hábitos, os velhos amigos, uma euforia temporária e a velha solidão… Até que um belo dia, quando a solidão já não é encarada como solidão mas como “tempo para nós”, eis que surge alguém a desequilibrar novamente o sistema emocional que tanto tempo demorou a estabilizar. E o ciclo recomeça. Por esta altura, é comum os ex-files terem alguns comportamentos padrão ao saberem da boa nova dos respectivos. Alguns ficam genuinamente felizes e talvez até aliviados ao saber que a outra pessoa encontrou alguém. Outros há (geralmente, “os que deixaram”), não sei se por sentimento de pose, ciúme tardio, ego ferido ou simplesmente por acharem que a outra pessoa (o que foi deixado) nunca seria capaz de os “substituir”, tem atitudes inesperadas de alguém que não ficou muito contente. Mas os relacionamentos não são estanques e as situações nem sempre sucedem desta maneira, apesar de ser comum ver este ciclo vicioso repetir-se vezes e vezes…
O amor quer-se puro, livre de joguinhos e estratagemas mas parece que não sabemos viver sem eles por mais que digamos odiá-los...
Nunca te escrevi.


Nunca te escrevi, mas não penses que por desinteresse ou desamor. Nunca te escrevi porque o mundo das palavras é traiçoeiro e desta vez, eu quero que seja diferente. Quero que as palavras que existam entre nós sejam mais do que amontoados de letras todas juntinhas em frases bonitas e floreadas. Quero, gostava, que fossem a materialização dos sentimentos…verdadeiras como os sentimentos, nuas a cruas como as emoções. Não que a escrita negligencie a pureza das palavras e dos sentimentos por de trás das palavras, mas “o poeta é um fingidor”… e é fácil escrever-se mais do que se sente: a voz não treme, os olhos não brilham e o leitor entoa para si as palavras da forma que mais quer ouvir.
Mas tu és demasiado real para te perderes e me fazeres perder com superficialidades. Tens o cheiro das coisas idóneas, reais…cheiras a terra molhada depois da chuva…foste, és a minha enxurrada. E agora, de alma lavada te escrevo sobre o que já sabemos os dois, mas que ainda que supérfluas, as palavras têm o poder de eternizar desta forma bonita…

“Não há palavras mais verdadeiras do que aquelas que dizemos em silêncio…”
Não me reconheço.

Pensar que as decisões que tomamos hoje têm repercussões faraónicas amanhã, carrega-me os ombros de um peso que não me é agradável. Se não houvesse amanhã será que estaria a fazer o que faço? Se morresse agora, morreria feliz? E vezes há em que prefiro não pensar muito nisto por medo das respostas e quando isso acontece…não me reconheço.

"Depois do silêncio, o que mais se aproxima de expressar o inexprimível é a música.."


Aldous Huxley

I find your interest interesting.


Eu e a Paula costumávamos dizer, meio a sério meio a brincar, que nos orgulhavamos de ter como amigos os mais "iluminados". E os iluminados, eram nada mais do que pessoas normais, iguais a todas as outras mas com qualquer coisa, un je sais quoi que nunca soubemos definir mas que sempre identificámos muito bem passados alguns momentos de conversa com alguém.
Depois há os que se orgulham por "escolherem" para amigos os mais inteligentes. Não demorámos muito a perceber que tal critério era tão estúpido como escolher os mais bonitos. Demoramos menos tempo ainda a perceber que os amigos não se escolhem: acontecem. Há muita gente de quem gostamos minimamente mas com quem, por diversos factores (tempo, interesses, etc.), não conseguimos desenvolver uma relação consistente a que possa chamar amizade.
No meu caso em particular, penso que me interesso por pessoas cujos os seus interesses são interessantes, e quando conheço alguém, é esta a primeira motivação que me faz querer aprofundar o conhecimento em relação a essa pessoa.
Cada um tem os seus critérios, mas é indiscutível a existência de uma química incompreensivel (ou não) que nos faz dar melhor com umas pessoas do que com outras.
It´s good to be back home.

Notice:


A Cúmplice, fisioterapeuta-estagiária a residir em Portalegre há duas semanas e com problemas técnicos em aceder à internet (e com muito trabalhinho de casa para fazer) encontra-se impossibilitada temporariamente de actualizar o seu blog. Pede desculpa aos transeuntes que por acaso aqui passarem, mas enquanto houver joelhos para tratar não há Blogosfera para ninguem!

Dos Musicais.


Não sou grande fã de musicais. Talvez por isso, quando assisto a musicais e me surpreendo positivamente, como foi o caso deste "Across the Universe" , de alguns filmes do Tim Burton e do clássico "Música no coração", acabo por vir a gostar imenso deles por conseguirem despertar em mim a vontade de assistir a mais e o pensamento de que "afinal, os musicais não são assim tão maus".
Este em particular é um miminho para os que não conseguem deixar de bater o pézinho ao som das músicas dos Beatles que foram reinterpretadas de forma muito inteligente e inseridas numa história passada na década de 60, com a agitação social, a guerra fria, entre outras coisas. Quase não se deu por ele porque, para variar, filmes como este que aparantemente não farão vender pipocas, ficam-se pelas salas pequeninas e a grande maioria do público nem nunca chega a saber da sua existência. Resta-vos o DVD que penso já estar disponível.
Fim-de-semana do paladar.


Quase sem planear, este fim-de-semana foi dedicado ao paladar e à experiência de gastronomias diferentes.
Sexta-feira, o pequeno e romântico restaurante “Arco do Castelo”, junto à entrada do castelo de S. Jorge, foi o local escolhido. Apesar de não ser grande fã da gastronomia indiana pode-se dizer que gostei, mas os verdadeiros apreciadores que se encontravam entre nós gostaram e recomendam.

Sábado, foi a vez do “Bonsai”, o restaurante japonês do Fontana Park Hotel, este muito mais ao meu estilo. Adorei o sushi. O sashimi, dizem os corajosos que se aventuraram a comer todo aquele peixinho cru, que “estava bom”. Só duas sugestões que poderão aproveitar um dia destes caso queiram saborear iguarias e espaços diferentes.
Mom, taught me to be polite!


De vez em quando, como em quase todos os assuntos neste país do faz-de-conta, quando nos media é revelada alguma situação flagrante, resultante do deixa andar, debate-se muito, conversa-se muito para depois cair tudo novamente no esquecimento público até nova fornada. Digamos que somos um país de modinhas. Há bem pouco tempo, o assunto era a nova lei do tabaco e agora, a violência nas escolas.
A minha mãe, educadora de infância há 30 e muitos anos, costuma dizer: “Educar é preparar para a vida. E a vida tem coisas boas e más”. O que se passa, a meu ver, é que os educadores de hoje, pais, professores etc têm medo de contrariar, dá-se tudo, fazem-se as vontades todas aos meninos. Se o menino não quer comer a sopa não come, porque realmente dá muito trabalho ficar ali a contar histórias e a insistir. Ou seja, os meninos não são contrariados e temos jovens que não sabem gerir as coisas boas da vida, muito menos as más.
Penso que o segredo estará em impor respeito na vez de medo. E a diferença entre um e outro é muito ténue e acredito que muito difícil de alcançar. Difícil mas não impossível porque, se bem me recordo das minhas aulas do básico e secundário, sempre houve conversas murmuradas (algumas bem alto já), sempre houve papelinhos a passar discretamente de carteira em carteira (obviamente que quando as aulas passaram de 60min para 90min a coisa piorou porque nem um adulto consegue estar tanto tempo a prestar atenção, quanto mais nós, no fulgor da adolescência) mas nunca se viram faltas de respeito tão graves como estas que se ouvem falar actualmente. A questão é, o que é que mudou? Penso que foi esse o assunto debatido ontem, no prós e contras. Não sei a que conclusões chegaram mas, quanto a mim, que pouco ou nada sei destas questões da educação, aquilo que acontece nas escolas é o reflexo do que se passa fora delas. Ou seja, temos crianças cujas distracções são a televisão, os jogos de computador e a internet e até aqui nada contra. O problema é serem as únicas distracções. Por outro lado e a juntar a isto, o facto de não terem pais, como a minha mãe, que assim que me via demasiado tempo ao computador dizia “Andreia, não tens mais nada para fazer? Vai ler um livro, vai tocar piano”. Algumas vezes ia, outras nem por isso. Mas, ainda que poucas, são essas vezes que talvez façam a diferença não só nesta questão da violência como noutras questões sociais, culturais, etc. Actividades como a leitura, tocar um instrumento, o desporto, os escuteiros (já sei que esta vai provocar risinhos) ou qualquer outra actividade desde género directa ou indirectamente promove a disciplina, a concentração e acima de tudo a abstracção desses hábitos de última geração. Já para não falar que teríamos miúdos com outros interesses e mais auto-didactas em áreas mais distintas e não este rebanho de morangos com açúcar.

Não quero com isto apontar o dedo aos pais (pelo menos não aos que realmente tentam educar os seus filhos e têm a consciência que o futuro deles depende) mas, ainda que hajam factores impossiveis de modificar,primeiramente, a grande batata quente está nas suas mãos.

Última hora : dia Mundial do teatro

in "Público", 27/03708

...e com entrada gratuita, já não há desculpa para não pegarem num amigo, namorado, mãe, pai etc e passaram um serão agradável a assistir a qualquer uma destas peças, aparentemente todas bastante interessantes.

Bom serão e divirtam-se ;)

O amor, sempre o amor (ou a falta dele).


Fico admirado quando alguém, por acaso e quase sempre

sem motivo, me diz que não sabe o que é o amor.

eu sei exactamente o que é o amor.


O amor é saber que existe uma parte de nós que deixou de nos pertencer.

O amor é saber que vamos perdoar tudo a essa parte

de nós que não é nossa. o amor é sermos fracos.

o amor é ter medo e querer morrer.


José Luís Peixoto in «A Criança em Ruínas»
Coisas que eu não entendo…


- O fenómeno, frequentemente observado em transportes públicos, de pessoas que forram meticulosamente as capas dos livros. Será que estão a ler alguma coisa da Margarida Rebelo Pinto?;

- A necessidade quase fisiológica das betinhas e tias e etc´s em dar diminutivos (geralmente acabados em “oca” ) a tudo o mexe e que não mexe;

- Rapazes (minimamente) interessantes apaixonarem-se por raparigas (ou vice-versa) que pensam que o Tim Burton é um cantor de reggaeton

- O Johnny Depp não ter ganho o Óscar para melhor actor
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To be continued...