Martian Child

Vejam este filme

David: I don't want to bring another kid into this world. But how do you argue against loving one that's already here?
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Dennis: But then I started doing science and realized the Earth was spinning around the sun at 67,000 miles per hour and I thought "What the heck do I need to be a martian for?"
(inner) winter

O inverno, o pior dos invernos é dos corações estilhaçados nos temporais fora do tempo. É o inverno das chuvas ácidas sobre o chão da alma, já de si encharcado em lençóis de água de outras tempestades. Visto-me de cores berrantes. Ergo a armadura de cachecóis, luvas, galochas e represento. Finjo que gosto dele, finjo que é chuva esta água que me encharca a cara e que é frio esta sensação que me imobiliza o peito. Finjo tanto até me convencer que a chuva lava mais do que inunda o coração.
Os "préférés" deste natal


Não se comparam ao gira-discos ali do lobístico mas foram dados com muito carinho. E melhor do que qualquer um destes objectos (um tanto ou quanto supérfluos) , os meus preferidos, foram mesmo os momentos passados à lareira e os lanches inesperados com a mesa cheia de primos, tios e tias a celebrar a familia.

O tempo não sabe nada.

Devagar, o tempo transforma tudo em tempo.
o ódio transforma-se em tempo, o amor
transforma-se em tempo, a dor transforma-se
em tempo.

os assuntos que julgávamos mais profundos,
mais impossíveis, mais permanentes e imutáveis,
transformam-se devagar em tempo.

(...)

José Luis Peixoto; "Explicação da eternidade", in A casa a Escuridão
"2011 Parte II" ou "My own new year's Resolution"


21h, saio apressada do hospital, aceno um “adeus” ao segurança que me retribui com o mesmo sorriso de todas as noites. Saio apressada porque vou ter com ele, o carro espera-me no “sitio do costume”. Está a chover, sento-me no carro e encharco a baquet que carinhosamente apelido de “sala” e, antes que da minha boca saia alguma palavra, abraça-me como se não me visse há anos. Abraça-me com força, tanta força que do emaranhado de dois braços (que parecem mil) a envolver-me consigo dizer “Amor, falta-me o ar! ” “e tu faltas-me a mim…” diz desavergonhado com o sorriso habitual. É o meu moreno, cabelo castanho, despenteado, com o esboço de alguns caracóis a desafiarem-me os dedos a entrelaçarem-se neles. Temos os nossos rituais, os nossos lugares, somos no anonimato aquilo que muitos fingem ser publicamente com a diferença, que ambos sabemos que o romantismo é, como diz o Fernando pessoa “como um traje, que, como não é eterno, dura tanto quanto dura; e, em breve, sob a veste do ideal que formámos, que se esfacela, surge o corpo real da pessoa humana, em que o vestimos. O amor romântico, portanto, é um caminho de desilusão.” Somos felizes porque somos livres, desprendidos há muito de expectativas que não sendo falsas, têm tanto de verdadeiro quanto o tempo tem. Não fazemos promessas nem juras de amor, mas quando nos perguntam “como vai ser amanhã?” respondemos quase em uníssono “não sabemos, mas gostamos muito de estar um com o outro” e é tudo quanto nos basta agora. Ele conhece-me melhor que ninguém e eu a ele. É diferente mas (tão) igual a mim, perspicaz, inteligente, interessado e sempre, sempre bem-disposto a desafiar o mundo com um sorriso infantil. É o meu companheiro de todos os crimes, de todas as horas. Compactua com os meus devaneios nocturnos e acrescenta sempre algum peru-menor importantíssimo. Somos a dupla quase perfeita de assassinos, de ladrões e juntos cometemos os delitos mais sórdidos, como: comer uma dúzia de pastéis de Belém de uma vez ou percorrer Lisboa inteira em busca do local ideal para fotografar numa tarde. Temos fases como a lua “Fases de andar escondida, fases de vir para a rua (…) Tenho fases de ser tua, tenho outras de ser sozinha ” mas o amor, ou o que quer que seja que nos faz gostar de estar um com o outro, é sempre mais forte e quando não for, é porque não tinha que ser… Somos meio-principes-meio-sapos, e de todas, esta é a nossa maior virtude. Aprendemos a viver disfarçados e, apesar de compreendermos todo o funcionamento deste ecossistema de sapos grandes, mantemo-nos fiéis a nós, à criação e àquilo que acreditamos ser, não o correcto ou o errado, mas o verdadeiro nos nossos corações.


Façam as vossas resoluções para o Ano que aí vem, esta pode ser "A minha resolução" ou apenas um devaneio.

Feliz Ano Novo queridos cúmplices ;)
Das tripas coração


O coração é um animal selvagem
e não há quem consiga domesticá-lo.
Os sonhadores


Today my heart swings diz:
Bom dia!
Today my heart swings diZ:
esses sonhos?
Miss diz:
não sonhei...
Miss diz:
sonho demasiado durante o dia, tiro as noites para descansar ;)
(...)
Today my heart swings diz:
os sonhadores? nunca viste? é um bom filme para ti
Miss diz:
ja me falas-te nele…
Today my heart swings diz:
É sobre 3 jovens que se conhecem por alturas do maio de 68 em paris, tds adoravam cinema e gostavam de fazer jogos, charadas ou mimica dos films
Miss diz:
uma conjugaçao gira, cinema, paris, charadas hummm…
~


Fica a sugestão para uma tarde de outono.
Humpf



Há meses que não é domingo no meu calendário… E eu com tanta vontade de ir até à praia, sentar-me na esplanada depois do passeiozinho à beira mar a desfrutar dos escassos raios de sol de outono e a fazer de conta que afinal, o verão não está assim tão longe…

A magia do outono e o meu dia de anos.


O dia decorria normalmente para o que é esperado num dia de anos. Almoço com as gatoras na pizzaria, sangria, uns brindes para aqui, umas piadas para ali, as prendas, as fotografias e os parabêns. Era o primeiro dia de outono digno do nome, com um dilúvio bíblico e eu, na estação dos comboios, sem saber como atravessar o sinuoso (e encharcado) percurso entre a porta da estação e a paragem do autocarro quando, sem perceber de onde, ouço uma voz sussurar :

“Vais apanhar o autocarro?”
“Vou...”
“Queres boleia no meu guarda-chuva!”
“Já agora...”
(Do mp3 ligado e do único phone que tinha posto, ouviam-se os james a cantar o “sometimes”)

Pode não saber como me chamo, o que faço ou onde vivo. Pode não saber que bato palmas quando as coisas me correm bem, que até me levantar o despertador tem de tocar precisamente 3 vezes, que tenho um sinal no centro abaixo das clavículas e que odeio comer favas. Não sabe que sou refilona e que adoro fazer carreirinhas na praia. Não sabe o nome de nenhum dos meus amigos, nem a minha música ou filme preferido. Não sabe nada sobre mim. Mas proporcionou-me o melhor e mais cinematográfico final de dia de anos que poderia arquitectar.
a música
a fotografia
a sétima, a primeira e todas as artes
caracóis com minis!
noitadas com as "garotas"
bugigangas orientais
Bossa Nova
chá-á-á, chá da india, chá da persia, chá chinês!
a casa do alentejo e a casa do algarve em lisboa
o romance
a praia
a praia e o romance!
a Primavera
a "azáfama natalícia"
comer três pasteis de belém de seguida!
o Jeff Buckley
a Amlie Poulain
margaritas!
fazer listas por tudo e por nada!
(...)
Eureca!

Miss diz:
olha, acabei de escrever este pseudo-post:

Miss diz:
“Nada aconteçe por acaso. É da nossa responsabilidade fazer com que assim não seja. Se deixarmos os acontecimentos passar sem reflectir sobre eles, se não procuramos tranforma-los em experiência, isso é deixa-los desvanecer no acaso. Actualmente, tento encarar todas as situações que a vida proporciona como hipóteses que o universo nos confere de sermos pessoas melhores. E todos os dias deixamos passar tantas dessas ocasiões sem sequer reparar nelas. A vida são dois dias (eu acho que nem isso) e ainda que sejam mais, o importante, é a plenitude com que vivemos os momentos, porque o momento, o agora, é tudo o que temos e senão o soubermos desfrutar, não temos nada!”

Today my heart swings diz:
está bem visto. carpe diem

Miss diz:
quando tenho estes rasgos de lucidez, tenho a sensação que ando a maior parte do tempo na escuridão

Today my heart swings diz:
é sempre assim. por isso é que o outro disse eureca

Miss diz:
...porque precisamos de estar na escuridão para saber o que é a luz

Miss diz:
se o “outro” nao soubesse o que era a não-eureca, nao sabia o que era a eureca

Today my heart swings diz:
claro, um momento não sabia, no outro fez-se luz!!
“Rufus soltou estrelas pelo Coliseu de Lisboa.”


Diz assim a manchete do blitz desta manhã. Foi fabuloso. O senhor Rufus Wainwright superou-se numa noite mágica em que desde a professora de yoga à mãe, Kate, ninguem ficou de fora do palco. Muito bem disposto (e muuuuito gay), este senhor encantou toda a gente com o seu bom humor, com as melodias e com as suas indumentárias que passaram por um fato tirolês, com o qual cantou uma música que, para mim, foi o momento alto da noite, em que resolve afastar os microfones e cantar para todo o coliseu. Seguiu-se a segunda parte na qual se apresentou vestido de roupão e posso garantir que, a partir de ontem, muita gente pode assumir em público que já chorou com um músico a cantar de roupão (palavras de um comentário no blitz). Mas não ficou por aqui. Quando todos já pensavam que tinha terminado, eis que Rufus despe o roupão e, ainda em palco, veste-se de travesti in cabaret com direito a baton rouge, high heels e chapéu noir, qual Lisa Minelli em New York New York. Ah, e adorei o pormenor das estrelas fluorescentes no piano de cauda.
E assim se passou uma noite muito agradável na companhia deste senhor hilariante com uma voz fenomenal capaz de arrepiar , sem microfone, um coliseu inteiro!

Princesa (o regresso)




Detesto ser mal interpretada. Detesto mais ainda que me substimem. E descobrir que tentaram passar-me a perna de forma amadora ou que me compararam com "amadores", deixa-me quase humilhada. Mereço mais e melhor.
Tenho que ir andando, até já!



Acredito que, ao longo da minha vida, já devo ter morrido pelo menos umas 10 vezes. Caso contrário, seria impossível ter seguido em frente com a força característica do renascimento.Estou prestes a morrer novamente, e não tenho pressa de renascer. Leve o tempo que levar, demore-me o que demorar pelos cambiantes da vida. É preciso morrer para renascer, é tudo quanto sei. E morrer significa afastar, significa ter tempo, demorar-me sobre mim, sobre aquilo que eu sou, e o que não sou, pois só assim saberei um dia o que realmente quero para mim. E agora quero extrair desta confusão emocional o essêncial, o sumo de que sou feita. Estou confusa, a cabeça não sabe o que quer, o coração muito menos e superar esta dicotomia nao será fácil, mas é para isso que cá estamos não é? Para nos encontrarmos, a nós e à missão que abraçámos quando para aqui viemos.

Não sei quanto tempo demorarei, não interessa muito também. É um até já que vos digo, porque não consigo passar muito tempo longe desta paragem virtual que diz mais de mim do que qualquer impressão digital que me consigam arrancar das mãos. ;)