Lua Adversa


Tenho fases, como a lua
Fases de andar escondida,
fases de vir para a rua...
Perdição da minha vida!
Perdição da vida minha!
Tenho fases de ser tua,
tenho outras de ser sozinha.

Fases que vão e vêm,
no secreto calendário
que um astrólogo arbitrário
inventou para meu uso.

E roda a melancolia
seu interminável fuso!
Não me encontro com ninguém
(tenho fases como a lua...)
No dia de alguém ser meu
não é dia de eu ser sua...
E, quando chega esse dia,
o outro desapareceu...

Cecília Meireles

...e esta sou eu [ acertas-te em cheio Gui ;) ].

Bilhete de Identidade

Gosto do cheiro a terra molhada num pôr-do-sol soalheiro, gosto de "torradas aparadas" ou croissants tostados com queijo ao pequeno-almoço, gosto de ouvir Sigur Rós no hi-fi da sala, gosto de comprar cachecóis coloridos, gosto de escrever palavras soltas em blocos de notas confusos, gosto de ler livros encardidos de biblioteca pública ou desfolhar capas de cds em bancas atulhadas de discotecas na baixa; gosto de visitar sítios encantados, gosto de citar citações pertinentes, gosto de escrever com canetas de acetato no espelho grande do meu quarto; gosto de ouvir o Jazz velho da mãe, gosto de participar em tertúlias estimulantes e interessantes, gosto do chocolate preto que acompanha o café elegante, gosto de ouvir o som agressivo da chuva a partir as vidraças (…)
A culpa é de Hollywood

...das telenovelas brasileiras, do Jesse e da Celine, do Richard Linklater e de outros tantos grandes grandes sacanas que como eles ajudaram a criar a ideia maquiavélica de que só UMA pessoa nos completa, “a tal”, a “alma gémea”, “ele”, “ela” etc. A culpa é deles, minha e dos que como eu padecem deste (ainda não percebi se...) mal ou bem.
Eu sei. Sei bem que o que interessa é ter vivido, ter sentido toda a palete de emoções Caran d'Ache que o amor evoca. Porque muitos há que passam uma vida inteira sem sentir “assim” mas até que ponto não serão eles mais felizes? Mais felizes do que os que sentiram e experenciaram , ainda que por momentos, o “amor puro”? Felizes os que ignorantes porque deles é o reino da ingenuidade.
A perfeição nunca irá superar a perfeição, não da mesma maneira, não tão depressa, não tantas vezes (ainda que tu aí me digas o contrário). Tenho em mim que há um grupo restrito (ou não) de pessoas que sentem desta forma e não sei que vos diga, digam-me vocês a mim...Fico contente por ter sentido assim, por não ser mais uma, por olhar para a banalidade e reconhece-la ao longe, feliz por (re)conhecer o amor...Mas triste, uma tristeza que não sei bem de onde vem (parece que é das vísceras, é capaz de ser do fígado) nem porquê...talvez porque o coração também se cansa, ganha tendências compensátórias e formas estranhas de se proteger, não do amor, mas do fim do amor...


PS: A culpa é também do Shakespeare e do Walt Disney !
Dezembro

Tinha saudades da chuva, de andar de casaco (encarnado hihi), de molhar os pés. O calor que eu tanto gosto, quando em demasia, deixa-me num estado de apatia que, a ser agradável, acaba por se tornar cansativo.
Espero que com esta água a vida volte a dar de si.

Bom dia Dezembro.
Daqui, de onde te escrevo, de onde morre um coração...

...morro aos poucos, devagar pelo o Outono, por cada folha que cai inerte no chão e tu sem aparecer. Morro, morro, morro por dentro, por fora, pelos lados. É outono lá fora e cá dentro também. Arrancaste-me a Primavera do corpo, o Verão da epiderme e agora não sei o que vai ser de mim.
Por isso volta, volta para o energumero de onde nunca devias ter saído, para o qual nunca me devias ter levado. Porque (às vezes, só às vezes) dói. Dói tanto a ausência. Não a tua, mas a desse lugar. E agora, todos os lugares são iguais e nenhum se assemelha de longe ao lugar onde fiquei, onde o tempo parou e o mundo se perdeu. E se a perda é um golpe duro, o crescimento é um processo doloroso e dizer Adeus um sacrifício. Custa-me o fim. Do que quer que seja.. Custa-me mudar, custam-me mudanças. Mas a sobrevivência é uma urgência implacável, e é inequívoco que o mundo avança sem nós, se pelos abismos nos demoramos.
Por isso, daqui, de onde te escrevo, de onde morre um coração, pudesse eu parar os teus olhos, para neles parar os meus e dizer-te que, melhor que todas as paixões, conhecer-te foi tanto mais.
Tanto.
Isto tem dias que é difícil...


Ás vezes, só as vezes, quando a brisa sopra de leve, o céu se desfaz horizonte abaixo em guaches Caran d'Ache e o Sol me bate nos olhos enquanto caminho, há qualquer coisa. Pode até ser só isso. E a sugestão do sonho da noite anterior. Ou até apenas a poluição do ar. Mas sei que choro. Não um pranto copioso. Não. Caiem-me apenas algumas lágrimas. Mas pode ser só do sol.



Eu nasci na época errada.


Devia ter nascido no meio de um filme noir, com um cigarette encaixado nos lábios como a minha preferida Audrey Hepburn e um smoking Yves Saint Laurent a enfeitar-me o corpo. Se fosse mulher havia de ser actriz de cinema americano, se fosse homem quereria ser detective de adultérios e homicídios passionais…Talvez gostasse de jazz, com Sarah Vaughan, Billie Holiday e Duke Ellington, ou talvez preferisse Frank Sinatra e Gene Kelly…Todos os dias encontraria lençóis de cetim para rejuvenescer em sono de beleza, provavelmente acordaria durante a tarde com tabuleiros de croissants aux chocolat e champagne na cabeceira…e vestiria, com a ajuda da camareira, um corset em sedas escuras para encarar mais um jantar exclusivo numa penthouse do vigésimo quinto andar.
Na Esplanada com Hitchcock


Para fechar um ciclo iniciado em Julho, a Cinemateca Portuguesa seleccionou catorze filmes do mestre do suspense, Alfred Hitchcock. De quinta a sábado, às 22h30 na esplanada da Cinemateca.

Quando puder hei-de lá passar, quando puder...
Catarse.

Encontrar-me. No meio do que fui, do que quis, do que já não sou, do que já não quero, de sonhos antigos, sonhos novos, sonhos que foram, sonhos que são. Encontrar-me. Com medos, porque sempre fui mariquinhas. Encontrar-me. Deixando para trás tudo o que me prendia, tudo o que já não era mas teimava em ser. Encontrar-me. Sem esquecer o que fui, sem negar o que fui e o que quis, sem deixar para trás os sonhos que não eram caprichos. Encontrar-me. A mim, eu, hoje.
So far, So good...


...e agora Montargil, Covilhã e Vila Nova de Mil Fontes. Até jazz ;)
Miúdas...


Se há coisa que me irrita nas miúdas (para além de conduzirem mal) - e digo-o sem qualquer espécie de misoginia - é a forma como se tratam entre elas (entre nós). Odeio que me tratem por "linda" e afins. Odeio aqueles montes de "inhas". Odeio que tenhamos de ser uma força contra "os homens". Invejo imensamente toda a franqueza que existe na amizade entre dois homens e que dificilmente - não é impossível- existirá entre duas mulheres. Não me chateiam os gritos, as complicações típicas do sexo feminino, a choradeira sempre que qualquer coisa dá para o torto. Mas chateia-me a falta de sinceridade, a bajulação quase gratuita e a necessidade de "sermos um grupo". Gosto tanto das minhas amigas como dos meus amigos. Mas, como grupo, mil vezes os "meus" rapazes.
O Metro de Lisboa e eu...



...relação MUITO complicada. Nem o utilizo com frequência (ainda bem), mas nas minhas incursões a Lisboa não passo sem ele e só eu sei a capacidade que tem de me chatear, qual feitiço que acorda os instintos mais selvagens na multidão (sub e) urbana. Da última vez caminhava tranquila, de mala em punho, ainda de sentidos entorpecidos, quando de repente, dou por mim na plataforma, o metro a estacionar e eu esmagada no meio de perfeitos estranhos que me querem mal, só pode ser (ninguém me tratava assim se não me tivesse ódio mortal). Empurram, puxam, querem à força que desapareça, devo ser um obstáculo maior, a razão de todas as frustrações. Gente mal educada, não é possível, então não fomos todos à escola aprender a pedir licença, perdão, obrigado, por favor?
Quanta maldade no Metro de Lisboa.


Drive-in


De 27 de Julho a 15 de Agosto, pelas 21h30, quem gostar de cinema tem à disposição um ecrã de 14m x 8m e a possibilidade de assistir a filmes dentro do carro no estacionamento do Forum Montijo. Eu que nunca gostei muito do F.M estou rendida ao
cartaz e à ideia.
Apontamento...


A cumplicidade, em qualquer tipo de relação, constrói-se de toda uma palete de emoções partilhadas. Lágrimas e discussões, são tão importantes como gargalhadas e sorrisos cúmplices. Daí que não sejamos íntimos de meio mundo. Dá trabalho. E tem de valer a pena.