"Nestas impressões sem nexo, nem desejo de nexo, narro indiferentemente a minha autobiografia sem factos, a minha história sem vida. São as minhas Confissões, e, se nelas nada digo, é que nada tenho que dizer."
Devia ter nascido no meio de um filme noir, com um cigarette encaixado nos lábios como a minha preferida Audrey Hepburn e um smoking Yves Saint Laurent a enfeitar-me o corpo. Se fosse mulher havia de ser actriz de cinema americano, se fosse homem quereria ser detective de adultérios e homicídios passionais…Talvez gostasse de jazz, com Sarah Vaughan, Billie Holiday e Duke Ellington, ou talvez preferisse Frank Sinatra e Gene Kelly…Todos os dias encontraria lençóis de cetim para rejuvenescer em sono de beleza, provavelmente acordaria durante a tarde com tabuleiros de croissants aux chocolat e champagne na cabeceira…e vestiria, com a ajuda da camareira, um corset em sedas escuras para encarar mais um jantar exclusivo numa penthouse do vigésimo quinto andar.
Encontrar-me. No meio do que fui, do que quis, do que já não sou, do que já não quero, de sonhos antigos, sonhos novos, sonhos que foram, sonhos que são. Encontrar-me. Com medos, porque sempre fui mariquinhas. Encontrar-me. Deixando para trás tudo o que me prendia, tudo o que já não era mas teimava em ser. Encontrar-me. Sem esquecer o que fui, sem negar o que fui e o que quis, sem deixar para trás os sonhos que não eram caprichos. Encontrar-me. A mim, eu, hoje.
Se há coisa que me irrita nas miúdas (para além de conduzirem mal) - e digo-o sem qualquer espécie de misoginia - é a forma como se tratam entre elas (entre nós). Odeio que me tratem por "linda" e afins. Odeio aqueles montes de "inhas". Odeio que tenhamos de ser uma força contra "os homens". Invejo imensamente toda a franqueza que existe na amizade entre dois homens e que dificilmente - não é impossível- existirá entre duas mulheres. Não me chateiam os gritos, as complicações típicas do sexo feminino, a choradeira sempre que qualquer coisa dá para o torto. Mas chateia-me a falta de sinceridade, a bajulação quase gratuita e a necessidade de "sermos um grupo". Gosto tanto das minhas amigas como dos meus amigos. Mas, como grupo, mil vezes os "meus" rapazes.
Intriga-me como é que tanta gente vé os Morangos com Açucar, aliás a TVI em geral. Será falta de coisas para fazer?Falta de FOX? Sic Mulher? AXN??e os outros 40 e tal canais da TV cabo e Cabovisão?Ler um livro (como me diz a minha mãe)?Rebentar bolinhas de plástico, não?qualquer coisa é melhor!
Dos reality Shows em série ao telejornal, isto sem falar nos programas altamente didácticos, da TVI só gosto do site, do espaço sobre os eventos culturais da semana e dos bons filmes (alguns) que passam de madrugada, portanto, a horas muito apropriadas para quem trabalha e tem bioritmos ditos "normais" . Mas é de louvar o esforço do senhor José Eduardo Moniz em apoiar a ficção portuguesa e ajudar a criar actores com problemas de dicção e novelas com nomes de músicas. Deduzo que, ou os senhores da TVI não têm imaginação, ou o objectivo é daqui a 20 anos termos letras de músicas completas ao juntar os títulos das novelas.
A verdade é que a nossa televisão anda um tanto ou quanto pobrezita e todos os dias dou graças à cabovisão (o seu único mal é mesmo o preço das chamadas) pela maravilhosa programação da FOX e outros que tal.
O que não entendo, é que se as estações independentes foram criadas com o intuito de dinamizar e melhorar o panorama televisivo português, que por altura da sua criação estava reduzido à tevevisão do estado, porque é que (a meu ver) a RTP (1 e 2) nunca deixou de ser a estação televisiva portuguesa com mais nível/qualidade.
É claro que a RTP chegou onde chegou pois teve que inovar face à concorrência que, durante os primeiros anos, até esteve à altura das expectativas. Quem é que não se lembra da "Caça ao Tesouro" com a Catarina Furtado na SIC, sempre era melhor que o "Fiel ou Infiel", mais que não seja porque a Catarina Furtado é gira, porque havia uma componente cultural interessante e porque é preferivel ouvir os comentários parvos da Rita Blanco aos do apresentador do Fiel ou Infiel...quer dizer, se calhar não. Depois, na TVI tivemos...humm, não me lembro de nenhum agora, mas deve ter sido exibido algo de bom concerteza, para além da missa...lol, é verdade, a missa! vejam só a coerência desta estação televisiva.
Boys and girls, We'll Be men and women Soon
Já não temos acne mas temos outras preocupações. Já não morremos de amor a cada instante, mas remoemos paixões antigas. Ainda não trabalhamos 12 horas por dia, mas temos que estudar para os exames . Já não somos adolescentes, mas também não me sinto adulta, nem tão pouco preparada para a vida "de crescida". Assusta-me o que quer que seja que envolva a cláusula "para toda a vida" e por vezes prefiro adoptar uma atitude moderada de deixa-andar-com-objectivos (tenho para mim que quem defendeu que ser adolescente era difícil, morreu antes de atingir este limiar).
É o final do ano escolar, como todos os finais, a repercutir-se em mim, a fazer-me reflectir , pensar no balanço e a respirar depois de duas semanas que se revelaram mais cansativas que acartar sacas de batatas nos himalaias.
Com algumas mazelas, sem latinhas e com uma factura de telefone astronómica para pagar (a internet a assumir um papel importante na vida social), (sobre)vivi aos intempérios da vida académica e não académica, pior, da vida académica e não académica sem computador! Os devidos agradeçimentos à lata jurássica residente no quarto da Paula, que ela carinhosamente apelida de "computador" .
Quase um ano depois a sensação que fica,citando a minha querida Lurdes, é a de que " O caminho é longo e a porta está aberta, as asas mais soltas e o coração mais leve. Agora so falta aprender a voar"
...voltei (pelo menos de vez enquando) ;)
Não estou habituada à agitação da cidade, mudei-me para cá à pouco tempo por causa do emprego.
Tenho o meu mini estacionado à porta e a vespa na garagem do meu pai, mas vou todos os dias de transportes para o trabalho (por causa da poluição e porque é como se circula melhor em Lisboa). Trabalho das 8h às 15h no hospital, e à tarde frequento um curso de shiatsu. Ganho pouco ainda, estou a juntar para as minhas especializações em acupuntura e homeopatia para um dia abrir a minha clínica e gerir o meu pequeno império, como ele diz.
Os meus pais mudaram-se de vez para Montargil, têm um jardim, um pinhal e um estúdio de pintura onde gostam de estar e onde encontraram a paz que aqui não tinham. A minha mãe vem cá todos os fim de semana ver como estou, dar-me mimos, deixar-me comida para a semana e os conselhos de sempre.
Ainda não tenho muitos amigos por cá, às vezes telefono à Sara e à Margarida para aqui virem dormir. Outras vezes tocam-me à porta sem avisar, elas e mais uns quantos, trazem dvds, pipocas e enchem-me o quarto. Não gosto de estar sozinha. O meu pai ofereceu-me um gato, chama-se kiushi e adora deambular pelas escadas do prédio (as vizinhas adoram-no).
O prédio, aparentemente antigo por fora, é um mimo por dentro. O meu T0 é amplo, com poucos moveis e nenhum bibelô, em jeito minimalista . Tem uma kitchnet (sempre achei piada a esta palavra) a um canto, onde raramente faço refeições mas onde existe sempre um bule com chá. Do outro lado, uma cama japonesa, uma estante com livros e vinis, um gira-discos no chão e uma secretária com o portátil onde passo as noites . Na parede em frente fotografias, cartões e afíns. Tem ainda uma janela, com portas altas, estilo varadim parisiense, que gosto de escancarar em noites quentes de verão e ver esvoaçar os cortinados por entre as luzes da cidade...
Aqui na faculdade temos um sala de computadores e é comum, enquanto fazemos trabalhos ou pesquisamos, ligar-me ao Pandora (bem dito sejas) e é claro que as músicas ouvem-se pela sala toda ainda que eu baixe o volume das colunas - obviamente, preferia que assim não fosse, preferia ter forma de guardar a minha música para mim, um mp3 player por exemplo (situação resolvida até o próximo mês hehe) e eu não consigo, de forma alguma, trabalhar sem música.
Ora, eu até vou tendo o cuidado de fazer uma selecção que me pareça acessível a estes meus coleguinhas, nunca ponho coisas assim muito “estranhas”, como eles dizem, já para não criar atritos com ninguém, mas também não faço questão de por coisas que eles até seriam capazes de gostar (tipo Pussycat Dolls , que tive a desgraça de pôr uma vez e que eles me fizeram ouvir vezes seguidas. Se as oiço cantar mais alguma vez este ano, vomito a alma).
Digamos que tento não ser polémica na escolha das músicas, ponho umas musiquinhas bonitas. assim uns acústicos suavezinhos, uns Dave Matthews Band, Margaridas Pinto e umas coisas assim lindas e maravilhosas, mas enfim...
Estas são as músicas que levantaram mais comentários estúpidos ultimamente:
PJ Harvey - C'mon Billy. Durou dois minutos até a do computador ao lado se passar e dizer que ela grita tanto que lhe dá aflição.
Radiohead - Don't Leave Me High. Esta não entendo.É calminha mas daí até ao do computador ao fundo da sala dizer “parece um velorio”...
Billy Joel - The River Of Dreams, que me lembrei de pôr a seguir ao Buddy Holy porque me recordei do meu querido a comparalos. Ouviu-se logo um “mas estamos nos anos 70?!” ao que me apeteceu responder “90, espertalhão!”
Até o meu Ben Harper com o please bleed que acabei de pôr, e que mal começou a tocar ouviram-se logo uns suspiros parvos...
E estas músicas são todas lindas... :(