Todos os sábados às 14.30 na rtp2 sou audiência deste programa que fala da cultura urbana, das novas tendências em áreas como a musica, teatro, moda etc no formato alternativo que esta estação televisiva nos tem vindo a habituar. A rtp2, que se por um lado me surpreende, deixa ainda margem para algum descontentamento pela forma como, a meu ver, é deixada ao abandono na vez de ser aproveitada e explorada. Mas voltando ao POP UP, bom programa, bom formato a uma boa hora mesmo para os friday night loverss.
"Nestas impressões sem nexo, nem desejo de nexo, narro indiferentemente a minha autobiografia sem factos, a minha história sem vida. São as minhas Confissões, e, se nelas nada digo, é que nada tenho que dizer."
Todos os sábados às 14.30 na rtp2 sou audiência deste programa que fala da cultura urbana, das novas tendências em áreas como a musica, teatro, moda etc no formato alternativo que esta estação televisiva nos tem vindo a habituar. A rtp2, que se por um lado me surpreende, deixa ainda margem para algum descontentamento pela forma como, a meu ver, é deixada ao abandono na vez de ser aproveitada e explorada. Mas voltando ao POP UP, bom programa, bom formato a uma boa hora mesmo para os friday night loverss.
Recebi há uns dias (um ano) por mail (merci carlos) e nunca concordei tanto com o MEC. Que se lixem os amores arrumadinhos, viva a paixão desenfreada e a dor de corno.
Elogio ao amor
(Miguel Esteves Cardoso - Expresso)
"Há coisas que não são para se perceberem. Esta é uma delas. Tenho uma coisa para dizer e não sei como hei-de dizê-la. Muito do que se segue pode ser, por isso, incompreensível. A culpa é minha. O que for
incompreensível não é mesmo para se perceber. Não é por falta de clareza. Serei muito claro. Eu próprio percebo pouco do que tenho para dizer. Mas tenho de dizê-lo.
O que quero é fazer o elogio do amor puro. Parece-me que já ninguém se apaixona de verdade.
Já ninguém quer viver um amor impossível. Já ninguém aceita amar sem uma razão.
Hoje as pessoas apaixonam-se por uma questão de prática. Porque dá jeito.
Porque são colegas e estão ali mesmo ao lado.
Porque se dão bem e não se chateiam muito. Porque faz sentido.
Porque é mais barato, por causa da casa. Por causa da cama.
Por causa das cuecas e das calças e das contas da lavandaria.
Hoje em dia as pessoas fazem contratos pré-nupciais, discutem tudo de antemão, fazem planos e à mínima merdinha entram logo em "diálogo".
O amor passou a ser passível de ser combinado.
Os amantes tornaram-se sócios. Reúnem-se, discutem problemas, tomam decisões.
O amor transformou-se numa variante psico-sócio-bio-ecológica de camaradagem.
A paixão, que devia ser desmedida, é na medida do possível.
O amor tornou-se uma questão prática.
O resultado é que as pessoas, em vez de se apaixonarem de verdade, ficam "praticamente" apaixonadas.
Eu quero fazer o elogio do amor puro, do amor cego, do amor estúpido, do amor doente, do único amor verdadeiro que há, estou farto de conversas, farto de compreensões, farto de conveniências de serviço.
Nunca vi namorados tão embrutecidos, tão cobardes e tão comodistas como os de hoje.
Incapazes de um gesto largo, de correr um risco, de um rasgo de ousadia, são uma raça de telefoneiros e capangas de cantina, malta do "tá bem, tudo bem", tomadores de bicas, alcançadores de compromissos,
bananóides, borra-botas, matadores do romance, romanticidas.
Já ninguém se apaixona? Já ninguém aceita a paixão pura, a saudade sem fim, a tristeza, o desequilíbrio, o medo, o custo, o amor, a doença que é como um cancro a comer-nos o coração e que nos canta no peito ao mesmo tempo?
O amor é uma coisa, a vida é outra. O amor não é para ser uma ajudinha.
Não é para ser o alívio, o repouso, o intervalo, a pancadinha nas costas, a pausa que refresca, o pronto-socorro da tortuosa estrada da vida, o nosso "dá lá um jeitinho sentimental".
Odeio esta mania contemporânea por sopas e descanso.
Odeio os novos casalinhos. Para onde quer que se olhe, já não se vê romance, gritaria, maluquice,facada, abraços, flores. O amor fechou a loja.
Foi trespassada ao pessoal da pantufa e da serenidade. Amor é amor.
É essa beleza. É esse perigo. O nosso amor não é para nos compreender, não é para nos ajudar, não é para nos fazer felizes. Tanto pode como não pode. Tanto faz.
É uma questão de azar. O nosso amor não é para nos amar, para nos levar de repente ao céu, a tempo ainda de apanhar um bocadinho de inferno aberto.
O amor é uma coisa, a vida é outra. A vida às vezes mata o amor.
A "vidinha" é uma convivência assassina. O amor puro não é um meio, não é um fim, não é um princípio, não é um destino. O amor puro é uma condição.
Tem tanto a ver com a vida de cada um como o clima. O amor não se percebe.
Não é para perceber. O amor é um estado de quem se sente. O amor é a nossa alma.
É a nossa alma a desatar. A desatar a correr atrás do que não sabe, não apanha, não larga, não compreende. O amor é uma verdade. É por isso que a ilusão é necessária.
A ilusão é bonita, não faz mal. Que se invente e minta e sonhe o que quiser.
O amor é uma coisa, a vida é outra. A realidade pode matar, o amor é mais bonito que a vida.
A vida que se lixe. Num momento, num olhar, o coração apanha-se para sempre.
Ama-se alguém. Por muito longe, por muito difícil, por muito desesperadamente.
O coração guarda o que se nos escapa das mãos.
E durante o dia e durante a vida, quando não esta lá quem se ama, não é ela que nos acompanha - é o nosso amor, o amor que se lhe tem.
Não é para perceber. É sinal de amor puro não se perceber, amar e não se ter, querer e não guardar a esperança, doer sem ficar magoado, viver sozinho, triste, mas mais acompanhado de quem vive feliz.
Não se pode ceder. Não se pode resistir.
A vida é uma coisa, o amor é outra.
A vida dura a Vida inteira, o amor não. Só um minuto de amor pode durar a vida inteira.
E valê-la também."
A campainha toca, ouço-as subir já naquela algazarra tão típica de quando nos juntamos. Trazem pipocas, eu tenho o incenso, as velas, o jeff e eventualmente um filme que começamos a ver e raramente terminamos...As vezes dormem por cá, quando a noite já vai alta e a conversa animada, tanto que a minha mãe nos faz um lanchinho de “meia noite” antes de se deitar e termina com um “Boa noite meninas, não se deitem muito tarde e tenham cuidado com o barulho” Qual quê... gargalhadas e gargalhas que ecoam do meu quarto noite fora . Elas não partilham muito do meu gosto musical, mas respeitam-no, as vezes dizem “só tu Andreia, para gostares disto” mas no fundo, a cada sessão vão-se convertendo aos meus gostos musicais e cinematográficos e até já suportam “os berros do Jeff” e os “francesismos” da Amelie. Somos diferentes é certo, e o que à partida parecia ser motivo de discórdia é o que mais nos une. A amizade é um lugar estranho, onde nós gostamos de estar...
...e a entrada é gratuita, por isso não há desculpas de falta de "tempo".
Setubal...
Setúbal grita-me aos ouvidos que fique em casa, FICA NA CAMA, Andreia Sofia, FICA NA C-A-M-A! Eu até ficava, mas não posso. Setúbal húmida, fria e da chuva que só cai quando nos apanha a correr para um lado qualquer. Eu até gosto de ti, mas hoje não. Hoje estou zangada contigo, Setúbal feia do “túnel do quebedee”, do “pexe frrite” e dos comboios de hora a hora , que nada tens a ver com a minha Lisboa das 7 colinas, dos 7 miradouros e do meu Bairro Alto... Setúbal malvada, que não te perdoo o rigor deste Inverno enquanto não voltar a respirar pelo nariz.
That´s what they are for...
Deambula-mos por Almada velha como em tempos, encontrámos velhos amigos e acabámos a noite entre a lareira do “Cerca da noite” e as cumplicidades que cada um tinha para a contar: o João e o atelier de arquitectura, a Margarida e as estorias da faculdade e o Tiago a mostrar-nos os novos poemas que escreveu para as músicas dos Skuarl...são os meus pequeninos, e gosto tanto deles.
...e a minha lista de livros a adquirir na feira do livro não pára de aumentar.
Andres Velazquez, sax
Rafael Pozo, guitarra eléctrica
Miguel Benardo, clarinete
Julio Camarena, guitarra
Jesus Ramirez, tuba
Ernesto Rodrigues, violino
7 Janeiro, 19h30 (3 €)
TREM AZUL JAZZ STORE (Rua do Alecrim 21A, Lisboa)
8 de Janeiro, 22h30 (3 €)
LISBOA BAR (Rua da Trindade 7, Lisboa)
...para começar bem o novo ano ",
Pouco a pouco, entranha-se na minha pele, nos meus ossos, como um hábito que custa a assimilar, mas uma vez enraizado não se quer ver partir - O inverno. Sabem bem estes dias solarengos em que até o frio parece dissipar-se quando passeamos de mãos dadas pelas avenidas, e nos jardins brincam netos e avós num eterno “domingo de passeio”. Mesmo quando o frio não desaparece , a vontade é de sair para rua, deitar na relva e ali ficar horas de expressão torcida em caretas e olhos quase fechados, encadeados pelos sol, a contar a imensidão de formas que as nuvens algodão doce adquirem sob o céu azul celeste deste Inverno encantado.
E a juntar ao, só por si já tão, mágico Inverno a minha adorada “azafama natalícia”. É um clássico aqui do sitio, todos os anos falo nela e cada vez me fascina mais. É intrínseca esta nostalgia que me invade o coração quando as primeiras luzes enfeitam as avenidas da minha cidade e brilham tímidas num tom “dourado crepúsculo tardio” por entre as cortinas de todas as casas...apetece entrar nelas, fazer parte daquelas sombras que se movem contentes em torno das arvores e partilhar a alegria do Natal em cada família.
Eu que, ao contrário do meu querido, fui novamente invadida pelo espirito natalício daquela maneira quase melodiosa que todos anos me arranca de casa para as ruas da baixa, chiado e bairro alto à procura das tão desejadas prendas. Não se sei gosto mais de recebe-las, se de procura-las. Gostava de dizer que me esforço com os presentes, que penso previamente em casa cada uma, mas é mentira, o meu ritual de compras natalícias é bem mais simples. Resume-se a entrar e sair de lojas que gosto, e à medida que o vou fazendo, vou “dando de caras” com este ou aquele objecto que tem a ver especialmente com esta ou aquela pessoa, e é um prazer fazer compras assim. Nada de muito dispendioso claro, mas isso não é impedimento.
Este ano demorei horas a acabar as compras de natal, não por estar indecisa (quer dizer, também) mas porque em cada loja o funcionário que nos atendia a mim e a Margarida, não sei se por ser natal, era mais simpático que o anterior: ora contavam a estorias sobre determinado artigo, ora referiam notas culturais sempre boas de se dar aquando da oferta de um presente, todo o tipo de conversas que nós fazem demorar com gosto numa loja e atrasam o que temos para fazer a seguir com um “Feliz Natal e Boas Festas”. E é nestas alturas, quando nos despedimos a correr de alguém e nos lembramos de dizer “ahh Feliz Natal e senão te vir até lá...Feliz Ano Novo” que toda esta quadra adquire o sentido que lhe é devido.
Falta dois dias para o Natal, e não vejo a hora de me sentir rodeada pela minha familia, e ver nos sorrisos de cada um a verdadeira razão do Natal.
...e com isto apetece desejar Feliz Natal a toda a gente: Feliz Natal à Margarida que me acompanhou na “saga das compras de natal”, à Sarinha que não nos pode acompanhar, Feliz Natal ao Tiaguinho, Feliz Natal ao Zé, meu querido...ao João, à Vania, ao Pré, à Odilia, ao João, ao Luís, ao Almeida, ao Branquinho, à Paula, à Covas, ao Diogo, ao “Manel”, ao Hugo, à “Fisga”, à Castro Verde, à Sarinha e ao Rafael de Aljustrel e a todos os outros que aqui não estão ,mas sabem que também é para eles o meu sincero desejo de um Feliz Natal “não foi esquecimento, espreitam dentro do meu coração”
Feliz Natal!
A minha escola é um corredor. Um meio corredor apertado com cacifos de ambos lados, professores no andar de cima e alunos no rés do chão, um autêntico “Corredor das excentricidades”. Foi assim que o apelidei há uns dias quando, encostada ao cacifo numero 71, esperava pela aula de estudos do movimento humano e observava o kiko e a Catarina numa pista de danças latinas improvisada, o Almada (centro geocósmico do mundo =Þ ) de volta do baixo, a Odilia às gargalhadas enquanto o Tiago, noutro ponto não muito longe dedilhava Oasis na guitarra que é de todos e não é de ninguém.
Convivemos dia apôs dias, há já quatro meses nem nós sabemos bem como, mas o facto é que apesar de aparentemente estranho (mas acolhedor) o “nosso” corredor faz de casa e família a muitos, principalmente os que vêm de longe e tentam encontrar ali o calor humano que a distancia arranca do peito sempre que partem no comboio que os traz de volta às praias do Sado. E são justamente de saudade as lagrimas que muitas vezes se derramam naquele corredor, lagrimas que depressa acabam em sorrisos frequentemente provocados pela magnifica voz do "Branquinho e seu tambor" . Os sotaques são outro factor de interesse no nosso corredor, norte sul este oeste, Portugal inteiro de uma ponta a outra, tudo no “nosso” corredor, uma torre de babel estreita e apertada. Já para não falar da facilidade com que se destinguem os alunos dos três cursos: os “fisio” em calções ou em posições estranhas de femur na mão, os “enf´s” de bata e sempre preocupados com o trabalho de P-lalala e finalmente os “TF´s” também muito conhecidos por “Turismo e férias”...que nunca os vemos.
São infinitas as particularidades deste nosso corredor que tem tanto de estranho como de acolhedor, tanto de estreito como de imprevisível, um autêntico “corredor das excentricidades” ;)