Não, eu não quero ser Só mais uma...


Ansiedade, sono, livros, canetas roídas, cansaço, muito cansaço e o tempo que corre alienado a dilacerar os dias cada vez mais curtos e preenchidos. No topo, o receio, o sempre inconveniente medo que obstina e teima em não largar os pensamentos. Medo do futuro próximo e principalmente a longo prazo. Recuso-me a ser uma frustada, e muito menos uma acomodada a uma rotina, um emprego que não me satisfazem...e pensar que há tanta gente assim, disposta a abdicar dos seus sonhos por uma realização aparente iludida com falsas convicções resultantes de uma qualquer impossibilidade que surgiu no caminho...Não os culpo, a vida ás vezes “força-nos” a seguir caminhos que não aqueles que pensámos mas, ainda assim há sempre uma força que resiste a todas as pressões exteriores e mantém o vivo o Sonho...



PS: O sacrifício dos exames está a começar, desejem-me sorte =)

Deixem-me dormir! Enquanto durmo não penso, sonho.
Pensar é falar baixinho com a alma...mas a minha traiu, ludibriou meus sentidos que agora jazem ambíguos no corpo que a custo tenta sobreviver atrelado a tão vil traidora...Quem dera esqueça-la, e com ela a incapacidade de apreender o Mundo, simples e inocentemente sem pensar sobre o repensado...





"Por meu ser me afundo,
Pra longe da vista
Durmo o incerto mundo. "

Fernando Pessoa
Centros Comerciais

Almada fórun, Colombo, Vasco da Gama...
É um disparate a quantidade de centros comerciais que existem hoje e que , alimentados pelo consumismo , continuam a brotar como cogumelos...
Havia tanta coisa para se fazer nesses espaços, desde jardins a parques temáticos etc. Mas pelos vistos é bem mais divertido andar de escada em escada rolante, qual montanha russa...E quando alguém está deprimido o que faz? vai ás compras, porque gastar o pouco dinheiro dos ( por definição ) míseros ordenados portugueses fazendo-o esticar ao máximo é realmente uma aventura, diria mais uma missão quase impossível...
E aos fim de semana é vê-los na auto-estrada em romaria para o Centro comercial : “Onde é que vais hoje?”, “Passear ao Centro comercial”- Passear? O que haverá de tão belo num centro comercial que mereça ser apreciado? Ah as montras, lá está a missão impossível desta vez na fase da contemplação. Até imagino os seus pensamentos “Quando receber o subsidio de natal vou comprar aquilo e mais aquilo”...
Não que uma ida a um parque temático esteja isenta de dispêndio de dinheiro mas, em vez de escadas rolantes, montras e caixas registradoras, teríamos montanhas russas, casas de espelhos, carrosséis...parece que se esqueceram de como é bom andar de carrossel.
Não me vou alongar mais, já deixei claro o meu ponto de vista. Dos centros comerciais apenas reconheço o seu caracter prático ( e os cinemas ), quando por exemplo há uma festa de aniversario de ultima hora e há que comprar uma prendinha...mas até nisso os centros comerciais são prejudiciais, desta feita para a imaginação. Já lá vai o tempo em que, quando alguém fazia anos se oferecia algo feito pela própria pessoa, agora é muito mais simples, o centro comercial é já ali, uma loja qualquer e está feito...


Da próxima vez que forem a um centro comercial pensem duas vezes, há tantos lugares por visitar, tanta coisa para ser vista, uma peça de teatro, um museu etc...
A bela da piadinha eleitoral


Santana Lopes (SL) morre e apresenta-se às portas do Céu.

SL - Eu sou católico e mereço ficar aqui, se Deus quiser.
S.Pedro - Nós temos as nossas regras, somos democráticos e as pessoas devem escolher depois de conhecer os factos. O sr. vai para o Inferno, passa lá um dia e depois volta a fazer o mesmo no Céu antes de escolher onde pretende ficar.
SL pega o elevador para o Inferno e a porta abre-se para um belo jardim, cheio de mulheres bonitas e muitos dos seus amigos políticos. Depois de muitos abraços e cumprimentos, é levado a um magnífico jantar, uma discoteca e acaba a noite nos braços de uma bela mulher. Na manhã seguinte, sobe de elevador para o Céu e é levado para o seu poiso numa nuvem e passa o dia a tocar harpa.
S. Pedro - Já fez a sua escolha?
SL - Lamento muito, mas lá na Terra os padres enganaram-me. Não tenho dúvidas que se está muito melhor no Inferno e é essa a minha escolha. Volta a descer no elevador e desta vez depara-se com um terreno inóspito, cheio de calor e todos os seus amigos a carregarem sacos cheios de lixo podre e com um ar abatido.
SL- Então sr Diabo? O que se passa? Como é que isto mudou de ontem para hoje?
Diabo - Ontem estavamos em campanha eleitoral e hoje já votaste!


Não resisti cof cof lol*
Arrumações


Estava deitada na cama quando, de olhar ensonado reparei nalgumas gavetas que derepente imergiram do panorama azul do meu quarto. Há muito que não reparava nelas, na verdade já não me lembrava sequer da sua existência...
Ajoelhei-me de modo a abrir novamente as gavetas que da ultima vez me davam pela cintura - “Como eu cresci...” - e a realidade é que só agora me apercebo da velocidade com que isso aconteceu...provavelmente com a rapidez (ou lentidão) com que se deixaram de abrir estas gavetas, numa proporção inversa na qual a constante não é nenhuma a não ser a espessa camada de pó acumulado...
(É sempre uma viagem, e são sempre inesperadas as recordações que uma gaveta abandonada pode trazer. )
No seu interior, lápis de cor, revistas antigas (a rua sesamo), diários, desenhos infantis como a “A historia da sereia Sofia” em banda desenhada by Andreia, Ilustrada e rabiscada (lol). Fez-me lembrar daquele tempo em que o meu pai parecia ser o Super Homem, capaz de tudo proteger, e a minha Mãe, a fada madrinha com a solução para todos os meus problemas. Foi duro, aperceber-me de que os meus pais não passavam de seres humanos exactamente iguais a mim, com defeitos, qualidades e a argamassa comum a qualquer um de nós...mas eu não sou igual a eles, nem igual ao que eles sonharam que eu fosse mas estou aqui...Como esta, foram muitas as descobertas e consequentes desilusões que a infância deixou para traz quando a adolescência chegou... Mas fico-me por aqui =Þ


PS: O dia dos namorados já passou “uff”. Que me desculpem os namorados mas detesto este dia...dias especiais só aqueles que nos pertencem somente.
Enquanto esperava por ele...

Há 20 minutos que esperava sentada no banco frio da estação. Comboios chegavam e partiam de minuto a minuto ao soar de uma voz repetitiva e enfadonha enquanto que por mim, passavam gentes apressadas, cada uma com a sua história, com a sua vida e o seu pensamento (por momentos, adoraria ouvi-las pensar) .
Voz, comboio, gente, voz, comboio, gente, aquele movimento cíclico deixava-me tonta, como que hipnotizada e rapidamente senti-me desvanecer consciente e inconsciente a dentro em plena sinapse activa dos neurónios que a cada milésimo de segundo me faziam recuar num tempo que a memória recalcou e raras vezes deixa lembrar...Um tempo diferente no mesmo cenário, já estivera ali antes, naquele banco esperando por outro alguém que ficou para traz, do qual “lembrar-me-ei sempre do nome completo, da rua onde morava do número de telefone e outras coisas irrelevantes... Mas será apenas isso, mais um nome, um nome que me fará procurar sempre que o ouça na rua; uma data de aniversário, um dia em que pensarei nele, não porque ainda exista qualquer sentimento...” mas porque é sempre assim...
A memória tem destas coisas, transporta-nos para qualquer lado no espaço e no tempo à hora que quisermos (e não quisermos). E com a mesma facilidade que relembra, esquece novamente dando lugar ao presente e ao futuro .
Estivera naquele estado de consciência uns 10 minutos, a voz surgia novamente, ia-se aproximando bem como os passos apressados e o som dos comboios.
“O passado é um lugar estranho”, aqui é mais seguro...
Olhei lá para fora, ele tinha chegado enfim...*
Até que enfim ...

Parece que no dia 14 de fevereiro (curiosamente dia dos namorados ) se vai realizar uma reunião que tem como tema “A questão do uso do preservativo como meio de combate à propagação da sida” a ser discutido pelos bispos portugueses.

Por muito que me custe dize-lo, foi um bom exemplo de Espanha ter tomado a tímida iniciativa, pela voz do porta-voz e secretário-geral da Conferência Episcopal espanhola Juan António Camino, de defender o uso do preservativo “ numa prevenção integral e global da sida” . Contudo , Espanha já deu o dito por não dito (acredito que por receio das reacções do Vaticano) . Ainda assim uma boa iniciativa...

Já estava na altura da Igreja mostrar alguma adaptação à modernidade...”Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades”...ou então as vontades sempre foram as mesmas, talvez fossem mais retraídas ;)
Rotina Matinal

É manhã, pelas frechas da persiana semi-fechada penetram fragmentos empoeirados de uma afável luz que se dispersa nas paredes do quarto ainda adormecido...É o frágil sol deste inverno que brilha lá fora, ténue sobre a madrugada, cada vez mais apressado adivinhando uma Primavera amena e doce como deve ser...
Ainda na cama, revejo mentalmente a minha agenda diária (que a esta altura, é tudo menos interessante).
Num pulo, saio da cama e a medo ponho os pés no chão sentindo cada milímetro de pavimento gélido enquanto percorro a casa, tropeçando em tudo o que de anormal se encontrar no meu caminho.
- “Vou tomar banho” - Ligo a música, pego nas velas, incenso a queimar, espuma e o banho está pronto. Num ápice ( bem mais rápido do que gostaria) o banho está tomado, a roupa vestida, e de maça numa mão, estico a outra abrindo porta ao mesmo tempo que, a pleno pulmões respiro fundo -”Se isto fosse no campo sabia bem melhor”...
A rua acorda agora também, os reflexos do sol espelham-se na estrada num jogo de luz tão belo que, quase por segundos consigo ouvir o Rui Veloso no meu ouvido “Como é tão bonita esta avenida” ( Já estou como a Ally Mcbeal a ouvir musicas na minha cabeça ).
De sorriso nos lábios ( e musica na cabeça ) sigo estrada fora com a certeza de que vai ser um agradável dia de sol*
“ E se...”


Possuíssemos a capacidade de alterar o passado?

A todos já nos passou pela cabeça mudar algo no nosso passado. Mas a impossibilidade de concretizar esse devaneio, evitou sempre que pensássemos nas consequências que tal acontecimento poderia desencadear. Mudar o antes é mudar o depois, ou seja, o agora. E isso pode significar abdicar talvez das melhores metas alcançadas no nosso processo de desenvolvimento.
É sobre esta inquietante dúvida que gira o filme “Efeito Borboleta” ( vi há uns dias) cujo o nome se baseia na teoria do caos. Segundo esta teoria, pequenas diferenças nas condições iniciais de um sistema podem conduzir a diferenças bastante significativas no resultado final. Aplicando ao filme e à vida quotidiana, pequenos actos num determinado momento da vida, futuramente poderão dar origem a grandes alterações...
Evan, a personagem principal apercebe-se de que tem o poder de alterar momentos do seu passado, mais tarde descobre também que cada alteração provoca consequências imprevisíveis no seu futuro e no daqueles que partilharam o seu passado.
É um filme interessante repleto de feedbacks e que nos remete inclusive a fazer os nossos próprios feedbacks conferindo-lhes a mesma dúvida “E se” . È a inquietação lançada por esta dúvida que fica a retinir naquela parte do nosso cérebro que ainda sonha e que depois de ver este filme continua a pensar...com a diferença de que a nós só resta a visualização do filme passado da vida , apenas com a possibilidade de intervenção num futuro ainda alheio.

Apesar de me ter chocado um pouco, gostei e aconselho...*




“Devíamos olhar mais para o céu...talvez assim nos déssemos conta daquilo que realmente somos”





Fiquei alguns minutos a pensar nesta verdade tão simples e obvia proferida hoje pelo o meu professor de biologia...
Paris em 24 Horas

6 da manha, arredores de paris:

O despertador disparou - “Bonjour, toujours à Paris risque de précipitation en début de matinée” - Um locutor, de voz abafada informava o estado do tempo…
Abri os olhos, a escassa claridade da madrugada irrompia quarto a dentro num “bom dia” inesperado . Um pé fora dos pesados cobertores e o dia começava .
Pequeno almoço : Croassant au chocolat avec du lait - “Típico”- pensei . Gorro, luvas e cachecol, a “armadura” está pronta e - “Ala rua que se faz tarde”.
Abaixo do chão, já o frenético movimento da cidade acordara há muito: rostos estranhos, cheiros diferentes, uma língua familiar.
- “O metro chegou”- Imagens de uma nova cidade deslizavam rapidamente pelo ecrã estático da janela da carruagem -“Parece um filme”, “mas não é, nous sommes à Paris mes amis!!”.
Primeira paragem :
Torre Eiffel. De cabeça erguida ao máximo, olhava para aquele mostro em aço que se erguia à minha frente “humm bem mais pequena do que imaginará”. Ao lado, o Sena quase transbordava, estava um dia enevoado a prometer chuva julgando pelo o locutor da manhã...Foi pensar e acontecer, depressa uma chuva miudinha disparou em flecha sobre nós...
Uma breve corrida, e apresentasse-nos o
Museu Rodin, a bela casa que abriga as obras do francês que redefiniu a escultura, August Rodin (1840-1917). Ao entrar, o característico cheiro a museu invadia-nos as narinas, alguns passos e o olhar prendeu-se nas magnificas esculturas que ali se mantêm encerrando uma espécie de vida imóvel : As mãos de deus, o Beijo, o Pensador, A Catedral...- “ Como são belas e indescritíveis”.
Terminada a visita, passe na mão - “Le metro não espera” - e uma vez mais a viagem recomeça: Arc de Triomphe ,
Notre Dame, Sacré Coeur , Pompidou ,Moulin Rouge (e a famosa rua onde está situado), Versalhes, Louvre, uma paragem nas Galeries Lafayette para recolher souvenirs pour la famillee e a noite acaba no Hard Rock. Tempo ainda para comprar uma T-Shirt e travar conhecimento com mais um dos inúmeros emigrantes portugueses que na rua nos interpelavam com o brilho da saudade no olhar. De Regresso a casa, no ultimo comboio para a cidade universitária, cruzamos olhares cansados, enquanto lá fora tocava apenas uma musica que jamais esquecerei e da qual me lembro com nostalgia e saudade daquela cidade fria, estranhamente acolhedora, de luzes intermitentes, passeios cintilantes e arvores geometricamente cortadas sobre as amplas avenidas onde o glamour se entende lado a lado com a arte e a cultura...




PS: A viagem foi verídica mas demorou mais 6 dias ;) *



Trechos: Um convite à leitura


“Quantos dias demorarei a esquecer o teu rosto? Lembro-te a cada minuto. Parcela a Parcela, para não te perder. Para me perder inteiro nesse objecto móvel que tu foste"

Página 32

Fazes-me Falta, Inês Pedrosa

Porque " “Ler é um acto de prazer”

"A Amizade é um amor que nunca morre"


A amizade, os amigos, pergunto-me muitas vezes se tais existiram...ou pelo o menos se serão tão verdadeiros quanto pensamos...É obvio que existem, e que fazem parte das nossas vidas mas é triste constatar que por muitos “amigos” que façamos, poucos são os que perduram e dos quais podemos falar sem réstia alguma de desilusão no olhar...porque a amizade é isso mesmo, um lugar estranho onde só vingam a cumplicidade e o sentimento puro de quem gosta sem hesitação...talvez eu não seja o melhor exemplo de “amiga”, talvez apenas o seja para quem o é para mim também...É uma troca de sentimentos que só resulta quando é mutua e sem imcompreenões desnecessárias...E quando resulta, é maravilhosa a ( mais uma vez ) cumplicidade que se gera entre as pessoas...Exemplo disso foram os maravilhosos dias que passei na Ericeira com amigos na passagem de ano.

Leiam o post ( 6/12/04 ) no the contents of my head acerca do assunto.
Dear Santa...

É nestas alturas que reflectimos sobre aquilo que nos propusemos a fazer durante o ano...Do que fiz e do que ficou por fazer resultou a minha Lista de desejos para este novo ano que aí vem.