Será que existe uma aura em cada um de nós?...o facto é que algumas pessoas pareçem irradiar uma estranha luz que vem de dentro e nos envolve sem razão aparente...
Experimentem
"Nestas impressões sem nexo, nem desejo de nexo, narro indiferentemente a minha autobiografia sem factos, a minha história sem vida. São as minhas Confissões, e, se nelas nada digo, é que nada tenho que dizer."
Desfaleci exausta na cama abandonada, larguei meu peso, espessura e forma sobre os lençóis envelhecidos, consumidos e depressa a noite se desdobrou na minha pele ainda com vestígios do dia que agora eu via dissipar lento e sereno nas paredes do meu quarto.
Contagiada pela sonolência tardia, movia apenas os olhos procurando algo que me alimenta-se o ócio que se instalava no corpo e lá estava no cinzeiro, um cigarro que ficou esquecido. Reacendi-o e por instantes limitei-me apenas a olhar aquela cinza que devagar se consumia sozinha...(“ás vezes somos como cigarros” pensei, “se nos acendem, ou somos consumidos ou consumimo-nos nós até já não haver “mais papel e químicos” por onde arder” ) . Num excesso de qualquer coisa, levei-o aos lábios sorvendo, em câmara lenta (como na TV) daquele fumo a cinzenta satisfação que lentamente se estendia do corpo a alma numa dormência que me congestionava os pensamentos e evocava memórias longínquas, dias remotos e sentimentos condenados à saudade eterna da melancolia...
Malditos "papel e quimicos"...
cultiva um gosto particular por pequenos prazeres: enfiar a mão até ao fundo de um saco com grãos, partir a crosta do leite creme com as costas de uma pequena colher...
ou atirar pedras ao canal de Saint-Martin...”
Sabem onde ela está?
Vejam o filme, "ela vai mudar a vossa vida"
Ainda sinto o sabor do teu ameno sorriso e guardo-o no canto escondido dos meus lábios que em segredo anseiam ainda pelos teus...
Adimensionnel I
Senicitas-Salvador Dali
Momentos há que me sinto desvanecer num quadro de Dali, onde os pesadelos se convertem em nódoas mais ou menos escuras manchando o painel onde pinto sem talento os meus desassossegos...Vou-me perdendo no vazio da tela imensa, repleta de minúsculos traços que me gastam a alma, corroem as entranhas e dissipam o corpo em míseros estilhaços que agora repousam a meus pés frios, e já sem força para caminhar pelos os dias que passam...
Desinspirada, tento compreender a fusão de cores que se amontoam em pequenos vestígios do arco Íris... mas falha-me a percepção, o aparente apodera-se dos meus sentidos imobilizando-os numa dimensão que não a minha...
Talvez pudesse o tempo parar
Quando tudo em nós de precipita
Quando a vida nos desgarra os sentidos
E não espera, ai quem dera
Houvesse um canto pra se ficar
Longe da guerra feroz que nos domina
Se o amor fosse um lugar a salvo
Sem medos, sem fragilidade
Tão bom pudesse o tempo parar
E voltar-se a preencher o vazio
É tão duro aprender que na vida
Nada se repete, nada se promete
E é tudo tão fugaz e tão breve
Tão bom pudesse o tempo parar
E encharcar-me de azul e de longe
Acalmar a raiva aflita da vertigem
Sentir o teu braço e poder ficar
É tudo tão fugaz e tão breve
Como os reflexos da lua no rio
Tudo aquilo que se agarra já fugiu
É tudo tão fugaz e tão breve.
Fragilidade-Mafalda veiga