Adimensionnel I

Senicitas-Salvador Dali
Momentos há que me sinto desvanecer num quadro de Dali, onde os pesadelos se convertem em nódoas mais ou menos escuras manchando o painel onde pinto sem talento os meus desassossegos...Vou-me perdendo no vazio da tela imensa, repleta de minúsculos traços que me gastam a alma, corroem as entranhas e dissipam o corpo em míseros estilhaços que agora repousam a meus pés frios, e já sem força para caminhar pelos os dias que passam...
Desinspirada, tento compreender a fusão de cores que se amontoam em pequenos vestígios do arco Íris... mas falha-me a percepção, o aparente apodera-se dos meus sentidos imobilizando-os numa dimensão que não a minha...

À Cabeceira...

"Fragil, esta noite estou tão fragil"




Talvez pudesse o tempo parar
Quando tudo em nós de precipita
Quando a vida nos desgarra os sentidos
E não espera, ai quem dera

Houvesse um canto pra se ficar
Longe da guerra feroz que nos domina
Se o amor fosse um lugar a salvo
Sem medos, sem fragilidade

Tão bom pudesse o tempo parar
E voltar-se a preencher o vazio
É tão duro aprender que na vida
Nada se repete, nada se promete
E é tudo tão fugaz e tão breve

Tão bom pudesse o tempo parar
E encharcar-me de azul e de longe
Acalmar a raiva aflita da vertigem
Sentir o teu braço e poder ficar
É tudo tão fugaz e tão breve

Como os reflexos da lua no rio
Tudo aquilo que se agarra já fugiu
É tudo tão fugaz e tão breve.

Fragilidade-Mafalda veiga

Momento Kodak : Sherlock Holmes ?

"Teus pés me abrem o caminho..."

Caminhavas levemente pelos dias, com o passo apressado, muito mais do que o meu, e ainda que um passo teu fossem dois meus eu seguia a sombra do teus pés no plano infinito das ruas que atravessamos sem medo. Por vezes, agarravas-me a mão com a suave delicadeza que sem te aperceberes possuías e dizias-me “mais depressa” enquanto eu acompanhava o difícil ritmo do teu andar...
Era como quando dançávamos, tomavas-me em teus braços rodopiando, depois era quase impossível seguir-te, o sangue fervilha-me em todas as extremidades, alcoolizavas-me com o teu jeito docemente serio e sem reparares, meu corpo tomado de paixão, adquiria uma estranha aura dominadora que me abrangia os olhos direcionando-os para os teus numa perseguição louca que sempre acabava em suor, pele e saliva...
A Fada voltou...
Sugestão...

Aproveitem a 74ª Feira do livro que está a decorrer em Lisboa no Parque Eduardo VII até dia 6 deste mês. Eu já lá fui e vim de lá com livrinhos, alguns deles autografados pelo o Saramago e pela Inês Pedrosa, dois escritores que admiro. valeu a pena =)
Sonhos cor de Laranja...




Esta fotografia foi tirada na minha viagem de finalistas a Lloret de Mar...ah saudades daquelas noites agitadas. Este foi dos poucos momentos em que consegui adormeçer e que prazer que me deu...
...A minha vida é um Outono de folhas caídas...

Take this Life, take it all in your hands...


Nas tuas mãos começa a noite
Escondida nos gestos
Cuidadosamente desfeitos...
Mãos doces que percorrem
minha pele inquieta,
Misturando-se numa dança
Enlouquecida como se
Em cada dedo a ternura e o desejo
Se completassem...

Nas tuas mãos termina o mar
Fundido nos traços ondulantes
Do destino que te cresce
Apaixonadamente nas nuas e
Desoladas palmas
Que sabem a minha boca,
a minha alma, ao amanhecer
do meu corpo em ti...


Nas tuas mãos o mundo pulsa devagar,
Cada fragmento de vida corre
lentamente, deliciosamente
no sal da tua pele onde
sucede a eternidade

Nas tuas mãos perdem-se as minhas,
Gastam-se a´ força de as apertarmos
Na leveza dos dias, no crepúsculo
Envelhecido do sol...

Nas nossas mãos claras de paixão
Brotam poemas, palavras imortalizadas
pela saudade sempre acesa
na delicadeza da chama que nos mantém...

A Cúmplice
Velha Infância

Deixada ao abandono, seguia triste, sozinha pela manha dolente...
Caminhava devagar com a sensação estranha de quem regressa deixando atras de si o rasto prateado do que foi e não volta a ser...
Debaixo dos pés, emergiam pequenos estalidos bem menores do que aqueles que na sua cabeça ecoavam distantes...eram os restos perdidos da estação passada que persistia : no chão, folhas caídas prontas a serem despedaças e pisadas ( e como ela adorava ouvir o som estridente da destruição ) e no horizonte vestígios insignificantes do lúgubre astro maior...
Nada a deixava mais nostálgica do que aquelas manhãs enfadonhas que lembravam outras passadas num tempo longínquo em que nada parecia estar em harmonia com nada...e ela, dispersa na sua fantasia habitual de criança perdida permanecia estática deixando-se invadir infantilmente pela névoa que lhe cobria os olhos entristecidos, inactivos nas orbitas. Seus olhos eram fortes (lembravam os dele), de uma concupiscência tal que, mesmo quando a tremura os atingia, brilhavam como luas novas suspensas no negro céu . Só ele calava o medo que eles encerravam sempre que o escuro chegava sem avisar...
Mas era o silencio de quando ele não estava que a rasgava em estilhaços tristes e a comia interiormente como se um vazio enorme se apodera-se daquele pequeno coração tão frágil...

um abraço Pai*
It´s all about SEX...








Os teus olhos são um lugar estranho...

Dos teus olhos resplandecem mil palavras,
Versos mudos que calam meus sentidos,
Paralisam minha boca, ocultando-a no poema da tua,
Enchendo-a de uma substancia inacreditavelmente doce
Num misto de fluidos que nos encharcam a alma

E afogam o mundo...

E asfixiam o tempo...
Barcelona...(o Regresso)

Finalmente visitei Barcelona. Era um objectivo já antigo, reforçado desde que tomei conhecimento da obra desse génio arquitectónico Antoni Gaudí e mais recentemente desde que vi a “Residência espanhola” do realizador Cédric Klapisch.
Foi uma visita “relâmpago” apenas de um dia, visto que se tratava de uma viagem de finalistas e infelizmente nem todos mostravam o mesmo interesse que eu em descobrir aquela maravilhosa cidade.
Apesar do cansaço de 7 dias...noites de plena agitação em Lloret de Mar, a vontade de conhecer Barcelona não se desvaneceu e lá nos aventuramos pela cidade a partir da Plaza de Espanã.
A primeira impressão foi sem duvida positiva: uma cidade arejada, repleta de contrastes naturalmente combinados com a arte e com a harmoniosa organização visível inclusive na forma como se dispõem as amplas avenidas. É fabulosa a maneira como esta cidade combina as diferentes marcas artísticas, exemplo disso é o facto dos prédios mais antigos convirem lado a lado com os mais belos exemplos de arquitectura modernista.
Inevitavelmente , são as obras de Gaudí e Miró que mais caracterizam Barcelona.
São fabulosas e originalíssimas as casas de Gaudí mas é a Sagrada Família que faz as delicias dos que por ali passam.

“Gaudi iniciou a construção desta imensa catedral em 1886, com apenas 31 anos; morreu em 1926, aos 74 anos, atropelado por um eléctrico; os últimos 16 anos da sua vida, passou-os “fechado” na Sagrada Família, onde aliás, está sepultado. Segundo o seu projecto, a igreja teria três fachadas, mas ele só conseguiu concluir uma delas; as obras
continuam, mas muito lentamente. A fachada de Gaudi, para além de nos fazer lembrar uma construção de areia, está cheia de simbolismos vários, desde as tartarugas que sustentam as colunas, até aos diversos animais representados na fachada, juntamente com as figuras religiosas (o presépio, por exemplo, para além das figuras de Cristo, Maria e José, tem a cabeça de uma vaca e de um burro, que emergem, surpreendentemente, da fachada).”


PS: Aos que por aqui passam...
desculpem a minha falta de tempo, mas tem-me sido impossível actualizar o blog. Neste momento a minha preocupação máxima são mesmo as ferias que são tão curtas e estão quase no fim...