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Terça-feira, Abril 21, 2009
Os filhos dos filhos da Liberdade


Os filhos da liberdade nasceram com o 25 de Abril e são a geração de todos os sonhos, cresceram na liberdade, longe do estado novo, da PIDE e da repressão. Cresceram a ouvir os pais contar histórias de censura, de privação de liberdade de expressão e a darem graças a Deus por os seus filhos terem nascido após a revolução. Esse sentimento pós-25 de Abril foi transmitido com tanta veemência aos filhos da liberdade, que estes juraram perpetua-la como se de uma doutrina se tratasse. Em resultado disso, como pais, os filhos da liberdade são o contrário do que os pais devem ser. Querem ser amigos, companheiros, colegas, e até aqui nada de mal, não fosse o facto de não serem o que é mais difícil e ingrato: pais. Ser pai significa, para além do ser amigo e companheiro, ser educador, ser um modelo a seguir e quando necessário significa dar umas boas palmadas, e quem diz palmadas diz castigos mas também conselhos e recompensas. Os filhos da liberdade são óptimos a dar estas últimas mas péssimos em dar as restantes: não só acham mal dar palmadas, como criticam os (poucos e abençoados) pais que ainda as dão, ouvindo-se coisas do género “olha para aquilo, pôs o miúdo a chorar” - notícia de última hora: se não chorar agora quando tu lhe dizes “não”, vai chorar daqui a alguns anos e da pior maneira. Resultado: temos crianças terríveis (que não tem culpa nenhuma) que não compreendem a palavra “Não” e que, no futuro, irão ter muitos dissabores quando se derem conta das contrariedades da vida. Eu não sou a favor de dar palmadas deliberadamente, mas quando à primeira e à segunda faz birra e esperneia depois da mãe explicar que não lhe vai comprar outro chupa-chupa porque faz mal aos dentes, à barriga etc, então está na eminência de levar uma palmada no rabo! Eu levei-as e tenho de admitir que muitas delas foram merecidas. Dantes as crianças, não é que fossem mais sossegadas, mas sabiam que não deviam fazer certas coisas porque os pais iam ficar zangados e mais tarde, quando tiveram capacidade, compreenderam as suas razões e não foi por isso que deixaram de adorar os pais. Eu não deixei. A verdade é que não tenho filhos e admito que, longe do papel de mãe as coisas possam parecer mais fáceis, mas ainda assim, vou-me esforçar tanto por ser amiga, como mãe, sabendo que um não implica a negligência do outro.

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