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Domingo, Dezembro 18, 2005
Afinal, até gosto dele...

Pouco a pouco, entranha-se na minha pele, nos meus ossos, como um hábito que custa a assimilar, mas uma vez enraizado não se quer ver partir - O inverno. Sabem bem estes dias solarengos em que até o frio parece dissipar-se quando passeamos de mãos dadas pelas avenidas, e nos jardins brincam netos e avós num eterno “domingo de passeio”. Mesmo quando o frio não desaparece , a vontade é de sair para rua, deitar na relva e ali ficar horas de expressão torcida em caretas e olhos quase fechados, encadeados pelos sol, a contar a imensidão de formas que as nuvens algodão doce adquirem sob o céu azul celeste deste Inverno encantado.
E a juntar ao, só por si já tão, mágico Inverno a minha adorada “azafama natalícia”. É um clássico aqui do sitio, todos os anos falo nela e cada vez me fascina mais. É intrínseca esta nostalgia que me invade o coração quando as primeiras luzes enfeitam as avenidas da minha cidade e brilham tímidas num tom “dourado crepúsculo tardio” por entre as cortinas de todas as casas...apetece entrar nelas, fazer parte daquelas sombras que se movem contentes em torno das arvores e partilhar a alegria do Natal em cada família.
Eu que, ao contrário do meu querido, fui novamente invadida pelo espirito natalício daquela maneira quase melodiosa que todos anos me arranca de casa para as ruas da baixa, chiado e bairro alto à procura das tão desejadas prendas. Não se sei gosto mais de recebe-las, se de procura-las. Gostava de dizer que me esforço com os presentes, que penso previamente em casa cada uma, mas é mentira, o meu ritual de compras natalícias é bem mais simples. Resume-se a entrar e sair de lojas que gosto, e à medida que o vou fazendo, vou “dando de caras” com este ou aquele objecto que tem a ver especialmente com esta ou aquela pessoa, e é um prazer fazer compras assim. Nada de muito dispendioso claro, mas isso não é impedimento.
Este ano demorei horas a acabar as compras de natal, não por estar indecisa (quer dizer, também) mas porque em cada loja o funcionário que nos atendia a mim e a Margarida, não sei se por ser natal, era mais simpático que o anterior: ora contavam a estorias sobre determinado artigo, ora referiam notas culturais sempre boas de se dar aquando da oferta de um presente, todo o tipo de conversas que nós fazem demorar com gosto numa loja e atrasam o que temos para fazer a seguir com um “Feliz Natal e Boas Festas”. E é nestas alturas, quando nos despedimos a correr de alguém e nos lembramos de dizer “ahh Feliz Natal e senão te vir até lá...Feliz Ano Novo” que toda esta quadra adquire o sentido que lhe é devido.
Falta dois dias para o Natal, e não vejo a hora de me sentir rodeada pela minha familia, e ver nos sorrisos de cada um a verdadeira razão do Natal.


...e com isto apetece desejar Feliz Natal a toda a gente: Feliz Natal à Margarida que me acompanhou na “saga das compras de natal”, à Sarinha que não nos pode acompanhar, Feliz Natal ao Tiaguinho, Feliz Natal ao Zé, meu querido...ao João, à Vania, ao Pré, à Odilia, ao João, ao Luís, ao Almeida, ao Branquinho, à Paula, à Covas, ao Diogo, ao “Manel”, ao Hugo, à “Fisga”, à Castro Verde, à Sarinha e ao Rafael de Aljustrel e a todos os outros que aqui não estão ,mas sabem que também é para eles o meu sincero desejo de um Feliz Natal “não foi esquecimento, espreitam dentro do meu coração”

Feliz Natal!
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Quinta-feira, Dezembro 08, 2005

Quinta-Feira, Dezembro 8... 2020



Fim de tarde. Estou cá em baixo com as minhas amigas, no jardim da nossa casa. Não faz muito tempo que nos mudámos para cá, para a nossa modesta vivenda do lado errado do rio, onde é calmo e não acordamos com o barulho de buzinas.
Olho para cima e lá está ele, de vidraças abertas de par em par, a bater com entusiasmo as teclas da Olivetti antiga (sempre gostou de maquinas de escrever). Daqui consigo ouvir o meu, o dele o nosso jazz tocar no “gira-discos” que lhe ofereci pelo Natal, deduzo que esteja a escrever a próxima crónica que redige semanalmente para um desses jornais que toda a gente lê. Desvia o olhar do papel em minha direcção no exacto momento em que o faço também, como se os nossos relógios biológicos estivessem em sintonia, e sorrimos um para o outro, está a pensar o mesmo que eu, e não preciso perguntar, eu sei...estou encharcada em suor e felicidade.
Somos Felizes, o casal que todos invejam : eu com a minha clinica ainda recente de fisioterapia e volta meia em congressos dentro e fora do país, ele com o escritório e o consultório de psicologia mais as crónicas semanais para o tal jornal. É detestado por muitos, as coisas que escreve nem sempre agradam aos politicamente correctos, mas não interessa, não merecem sequer consideração. Eu também não me interesso, gosto do que ele escreve , da forma como o faz sem medo de atingir este ou aquele mas sempre que acaba uma crónica, senta-se ao pé de mim interrompendo seja o que for que esteja a fazer e diz “Querida, queres que te leia a última crónica que escrevi?” (como se algum dia fosse dizer que não). Então, agarra-me pela mão, leva-me até ao escritório onde me sento no velho cadeirão e ele, desta vez ao computador lê devagar, pausadamente interrompendo só para olhar para mim de vez em quando para se certificar que estou atenta, a ouvir. É difícil ficar atenta tanto tempo enquanto a sua voz me entra pelo ouvido a dentro, apetece dizer-te “cala-te e dá-me um beijo” mas não o faço, estou orgulhosa dele, da pessoa que se tornou e sempre foi e que cada vez gosto mais. No fim, pergunta-me “então querida, o que é que achas-te?”, eu dou a minha opinião, e ele respeita-a acabando por modificar só um bocadinho não para me fazer a vontade mas porque tem elevada consideração pelo que digo.
Ás vezes chega tarde, eu espero por ele até à meia noite e vou-me deitar. Leio um livro mas adormeço encostada á cabeceira ainda com os óculos de ler postos, com o livro caído no regaço e a luz da cabeceira acesa. Não dou pela sua chegada, ou dou, mas o beijo que me dá quando se deita confundes-se com um sonho e volto a cair no sono.
Aos fins de semana, convida os amigos para passar cá o dia, ficam horas na garagem a restaurar o carro velho que comprou a juntar ao mini e a vespa que tanto adoramos . Para além do carro, tomam banhos de sol e de piscina, almoçam churrasco, jogam Graceball e vêem o Derby ao fim do dia espojados nos sofás da sala. Por essa altura, eu e elas, as minhas amigas chegamos de um dia agitadíssimo de compras, ou simples convívio e juntamo-nos a eles num serão agradável de fim de semana. Quando a noite acaba levamo-os até à porta num “Adeus, até à próxima” já desejosos de nos termos só um ao outro. A casa está de pernas para o ar mas "que se lixe", temos o resto da noite para nós e é tudo quanto basta. Na manhã seguinte, acordo com o ronco da moto4 e do portão do lado dele da garagem, olho para o lado e na almofada, ainda com a forma dele desenhada, um bilhete : “És um anjo... Bom dia querida”

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Domingo, Dezembro 04, 2005
Temos corredor...


A minha escola é um corredor. Um meio corredor apertado com cacifos de ambos lados, professores no andar de cima e alunos no rés do chão, um autêntico “Corredor das excentricidades”. Foi assim que o apelidei há uns dias quando, encostada ao cacifo numero 71, esperava pela aula de estudos do movimento humano e observava o kiko e a Catarina numa pista de danças latinas improvisada, o Almada (centro geocósmico do mundo =Þ ) de volta do baixo, a Odilia às gargalhadas enquanto o Tiago, noutro ponto não muito longe dedilhava Oasis na guitarra que é de todos e não é de ninguém.
Convivemos dia apôs dias, há já quatro meses nem nós sabemos bem como, mas o facto é que apesar de aparentemente estranho (mas acolhedor) o “nosso” corredor faz de casa e família a muitos, principalmente os que vêm de longe e tentam encontrar ali o calor humano que a distancia arranca do peito sempre que partem no comboio que os traz de volta às praias do Sado. E são justamente de saudade as lagrimas que muitas vezes se derramam naquele corredor, lagrimas que depressa acabam em sorrisos frequentemente provocados pela magnifica voz do "Branquinho e seu tambor" . Os sotaques são outro factor de interesse no nosso corredor, norte sul este oeste, Portugal inteiro de uma ponta a outra, tudo no “nosso” corredor, uma torre de babel estreita e apertada. Já para não falar da facilidade com que se destinguem os alunos dos três cursos: os “fisio” em calções ou em posições estranhas de femur na mão, os “enf´s” de bata e sempre preocupados com o trabalho de P-lalala e finalmente os “TF´s” também muito conhecidos por “Turismo e férias”...que nunca os vemos.
Image Hosted by ImageShack.usFamosas são já também as surpresas que se preparam no corredor sempre que alguém faz anos...e desta vez a “vitima” fui eu. Com um bolo de chocolate (o meu preferido a seguir ao strawberry cheese cake) feito por eles , velas e meio corredor de alunos, professores e cacifos se fez uma festa improvisada com nunca tive nenhuma...
São infinitas as particularidades deste nosso corredor que tem tanto de estranho como de acolhedor, tanto de estreito como de imprevisível, um autêntico “corredor das excentricidades” ;)
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Cumplicidades

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