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Sexta-feira, Fevereiro 25, 2005

Deixem-me dormir! Enquanto durmo não penso, sonho.
Pensar é falar baixinho com a alma...mas a minha traiu, ludibriou meus sentidos que agora jazem ambíguos no corpo que a custo tenta sobreviver atrelado a tão vil traidora...Quem dera esqueça-la, e com ela a incapacidade de apreender o Mundo, simples e inocentemente sem pensar sobre o repensado...





"Por meu ser me afundo,
Pra longe da vista
Durmo o incerto mundo. "

Fernando Pessoa
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Segunda-feira, Fevereiro 21, 2005
Centros Comerciais

Almada fórun, Colombo, Vasco da Gama...
É um disparate a quantidade de centros comerciais que existem hoje e que , alimentados pelo consumismo , continuam a brotar como cogumelos...
Havia tanta coisa para se fazer nesses espaços, desde jardins a parques temáticos etc. Mas pelos vistos é bem mais divertido andar de escada em escada rolante, qual montanha russa...E quando alguém está deprimido o que faz? vai ás compras, porque gastar o pouco dinheiro dos ( por definição ) míseros ordenados portugueses fazendo-o esticar ao máximo é realmente uma aventura, diria mais uma missão quase impossível...
E aos fim de semana é vê-los na auto-estrada em romaria para o Centro comercial : “Onde é que vais hoje?”, “Passear ao Centro comercial”- Passear? O que haverá de tão belo num centro comercial que mereça ser apreciado? Ah as montras, lá está a missão impossível desta vez na fase da contemplação. Até imagino os seus pensamentos “Quando receber o subsidio de natal vou comprar aquilo e mais aquilo”...
Não que uma ida a um parque temático esteja isenta de dispêndio de dinheiro mas, em vez de escadas rolantes, montras e caixas registradoras, teríamos montanhas russas, casas de espelhos, carrosséis...parece que se esqueceram de como é bom andar de carrossel.
Não me vou alongar mais, já deixei claro o meu ponto de vista. Dos centros comerciais apenas reconheço o seu caracter prático ( e os cinemas ), quando por exemplo há uma festa de aniversario de ultima hora e há que comprar uma prendinha...mas até nisso os centros comerciais são prejudiciais, desta feita para a imaginação. Já lá vai o tempo em que, quando alguém fazia anos se oferecia algo feito pela própria pessoa, agora é muito mais simples, o centro comercial é já ali, uma loja qualquer e está feito...


Da próxima vez que forem a um centro comercial pensem duas vezes, há tantos lugares por visitar, tanta coisa para ser vista, uma peça de teatro, um museu etc...
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Domingo, Fevereiro 20, 2005
A bela da piadinha eleitoral


Santana Lopes (SL) morre e apresenta-se às portas do Céu.

SL - Eu sou católico e mereço ficar aqui, se Deus quiser.
S.Pedro - Nós temos as nossas regras, somos democráticos e as pessoas devem escolher depois de conhecer os factos. O sr. vai para o Inferno, passa lá um dia e depois volta a fazer o mesmo no Céu antes de escolher onde pretende ficar.
SL pega o elevador para o Inferno e a porta abre-se para um belo jardim, cheio de mulheres bonitas e muitos dos seus amigos políticos. Depois de muitos abraços e cumprimentos, é levado a um magnífico jantar, uma discoteca e acaba a noite nos braços de uma bela mulher. Na manhã seguinte, sobe de elevador para o Céu e é levado para o seu poiso numa nuvem e passa o dia a tocar harpa.
S. Pedro - Já fez a sua escolha?
SL - Lamento muito, mas lá na Terra os padres enganaram-me. Não tenho dúvidas que se está muito melhor no Inferno e é essa a minha escolha. Volta a descer no elevador e desta vez depara-se com um terreno inóspito, cheio de calor e todos os seus amigos a carregarem sacos cheios de lixo podre e com um ar abatido.
SL- Então sr Diabo? O que se passa? Como é que isto mudou de ontem para hoje?
Diabo - Ontem estavamos em campanha eleitoral e hoje já votaste!


Não resisti cof cof lol*
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Terça-feira, Fevereiro 15, 2005
Arrumações


Estava deitada na cama quando, de olhar ensonado reparei nalgumas gavetas que derepente imergiram do panorama azul do meu quarto. Há muito que não reparava nelas, na verdade já não me lembrava sequer da sua existência...
Ajoelhei-me de modo a abrir novamente as gavetas que da ultima vez me davam pela cintura - “Como eu cresci...” - e a realidade é que só agora me apercebo da velocidade com que isso aconteceu...provavelmente com a rapidez (ou lentidão) com que se deixaram de abrir estas gavetas, numa proporção inversa na qual a constante não é nenhuma a não ser a espessa camada de pó acumulado...
(É sempre uma viagem, e são sempre inesperadas as recordações que uma gaveta abandonada pode trazer. )
No seu interior, lápis de cor, revistas antigas (a rua sesamo), diários, desenhos infantis como a “A historia da sereia Sofia” em banda desenhada by Andreia, Ilustrada e rabiscada (lol). Fez-me lembrar daquele tempo em que o meu pai parecia ser o Super Homem, capaz de tudo proteger, e a minha Mãe, a fada madrinha com a solução para todos os meus problemas. Foi duro, aperceber-me de que os meus pais não passavam de seres humanos exactamente iguais a mim, com defeitos, qualidades e a argamassa comum a qualquer um de nós...mas eu não sou igual a eles, nem igual ao que eles sonharam que eu fosse mas estou aqui...Como esta, foram muitas as descobertas e consequentes desilusões que a infância deixou para traz quando a adolescência chegou... Mas fico-me por aqui =Þ


PS: O dia dos namorados já passou “uff”. Que me desculpem os namorados mas detesto este dia...dias especiais só aqueles que nos pertencem somente.
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Segunda-feira, Fevereiro 07, 2005
Enquanto esperava por ele...

Há 20 minutos que esperava sentada no banco frio da estação. Comboios chegavam e partiam de minuto a minuto ao soar de uma voz repetitiva e enfadonha enquanto que por mim, passavam gentes apressadas, cada uma com a sua história, com a sua vida e o seu pensamento (por momentos, adoraria ouvi-las pensar) .
Voz, comboio, gente, voz, comboio, gente, aquele movimento cíclico deixava-me tonta, como que hipnotizada e rapidamente senti-me desvanecer consciente e inconsciente a dentro em plena sinapse activa dos neurónios que a cada milésimo de segundo me faziam recuar num tempo que a memória recalcou e raras vezes deixa lembrar...Um tempo diferente no mesmo cenário, já estivera ali antes, naquele banco esperando por outro alguém que ficou para traz, do qual “lembrar-me-ei sempre do nome completo, da rua onde morava do número de telefone e outras coisas irrelevantes... Mas será apenas isso, mais um nome, um nome que me fará procurar sempre que o ouça na rua; uma data de aniversário, um dia em que pensarei nele, não porque ainda exista qualquer sentimento...” mas porque é sempre assim...
A memória tem destas coisas, transporta-nos para qualquer lado no espaço e no tempo à hora que quisermos (e não quisermos). E com a mesma facilidade que relembra, esquece novamente dando lugar ao presente e ao futuro .
Estivera naquele estado de consciência uns 10 minutos, a voz surgia novamente, ia-se aproximando bem como os passos apressados e o som dos comboios.
“O passado é um lugar estranho”, aqui é mais seguro...
Olhei lá para fora, ele tinha chegado enfim...*
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Cumplicidades

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